BEM-VINDOS E ESPERO QUE PASSEM UM MOMENTO DE PRAZER

O luar desconhecido que nos fascina e descobre na penumbra











Nem sempre há luar onde o homem nasce







MENSAGENS


MENSAGENS

Obrigado, Mário.. É uma honra e um prazer ler o quão bem escreve.

Um abraço

Pedro Abrunhosa





domingo, 4 de julho de 2010

O MEU DESERTO...

Consigo ver desta sala
o mundo inteiro
sentir todos os gestos
ouvir todos os passos...

não me consigo ver a mim
nem longe, nem perto,
perceber os outros é mais simples
e sorrir é fácil,
nada é certo...

ainda quero ouvir cantar,
ver o rosto daqueles que amam
e dos que sofrem...
passo a vida
a preencher o meu deserto...

Mário M.Carvalho



sábado, 3 de julho de 2010

PEREGRINAÇÃO

Serpentina humana
apaixonadamente envolvida
em romances hipnóticos
numa crença envelhecida...

perversa falsidade
em elegantes jornadas
por caminhos lamacentos
quanta ingenuidade...

Mário M. Carvalho 1985

Concierto Paz Sin Fronteras II en La Habana Cuba 20 Sept 2009

Vieux Farka Toure

Oumou Sangare - "Wayeina" (Womad 2003)

VIVIR POR TI...

el dolor
que me ocurre
no es de tu amor
es de la llama
que me consume
el vientre
por no haberte
junto a mí...

quería siempre
sentir
el sabor
de tu cuerpo
en mis palabras...

nada tengo
para decir
que tú no sepas de mí...

tu eres mí
sentir
sólo quiero
vivir por ti...

Mário M. Carvalho

ARMADOS

Salteadores de outras paragens
que se aproximam,
calados e tenazes
que se perdem
e confundem...

abutres de garras abertas
no espírito encurralado
por ideais masturbados
de sarcasmo céptico
e fardas engomadas...

opressores e armados...

Mário M.Carvalho 1984(não publicado)

PERSEGUIÇÃO

Por caminhos perdidos em maresia
nos ombros de pérfidas ambições,
soluços de angústia que se alcançam
em ventos ofegantes de ironia...

banhos de frescura encruzilhada
entre paredes que se abrem
e desenham correntes de ilusões
na armadilha do nevoeiro
agigantado entre becos esguios
que nos afastam do caminho...

Mário M.Carvalho 1986 (Não publicado)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

FUGIU-ME NO TEMPO...

Já me ardem as mãos
de bater no tempo que perdi...
era às vezes eu
que levava um castelo na mão...

saído de todas as estradas
e por alguns pinhais
fugiam como os ratos dos tremores de terra,
eram serpentes que se esgueiravam
e não tinham buracos em nenhum chão...

nem por essas montanhas
que têm águias a pairar
passava uma daquelas estrelas
que eu queria apanhar...

era sempre o morcego da noite
que visitava os currais
onde havia mais insectos...

eu fugia sempre
para cima das pedras,
conseguia ver a noite toda
e nem tinha de procurar...

depois tínhamos cerejas
bem alto, nas cerejeiras
nós, como macacos, subíamos
para as apanhar...era quase dia...

chegava cansado
mas trazia o meu castelo
debaixo do braço,
só via galinhas a esvoaçar
à minha volta...a manhã enlouquecia

mas já não havia ratos,
nem serpentes....viam -se as toupeiras
a levantar o chão...passaritos a voar...

estou desolado com o tempo
que me fugiu...
eu já sabia beber cerveja...e cantar
agora nem comer sei...
e era a correr que eu me cansava...

precisava de mais tempo
queira mudar as fontes
do meu pensamento...

Mário M.Carvalho




PACO DE LUCIA , John McLaughlin , AL DI MEOLA

quarta-feira, 30 de junho de 2010

UNE ROSE VOUS ATTEND

une rose fanée
le dimanche matin
et vous avez quitté
le même jour,
quelqu'un s'écria ...

combien de dimanche
à pleurer pour les roses,
combien de jours
à pleurer pour toi ...

quelqu'un était là
et même une rose
vous attend ...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 29 de junho de 2010

AS TUAS PALAVRAS (Livro dos vivos II)

Eu vim hoje
das palavras
que estavam junto de ti...

conheci-te,
estava na cidade
quando passaste por mim...

li as tuas palavras
mesmo quando
não falavas comigo...

passaram palavras
que se disseram
e desdisseram,
umas escritas
outras descritas...

Eu juntei-te
e trouxe-te
o que não tinhas...

coloquei-o
no seu lugar,
nas nossas palavras...

ficámos
juntos na mesma morada,
nas tuas palavras.....

Mário M.Carvalho


domingo, 27 de junho de 2010

CE QUE NOUS NE VIVONS PAS

Il ya toujours une vie cachée
à l'ombre d'un sourire...
ouvre les sens
nous nous serrons ...

on ne peut jamais marcher
dans le désert
perdu sur nous ...

dans cette rencontre
qui rapproche à nous
déchirant du temps...

regardez
ce que nous avons perdu ...

et rappelez-vous
ce que nous ne vivons pas ...

Mário M.Carvalho

EN TU MAR...

Parte el deseo mar adentro
en las olas de tu querer
sigo sólo mi destino
que no consigo ver...

me mira como el viento
y me deja ir contigo
quiero soñar con tu sonrisa
y vivir por un momento

quiero quedar en tu mar
muy lejos, lejos de aqui
jamás quiero volver
deja mi sueño volar...

Mário M.Carvalho

SOMEBODY

When you see the sky
you understands light...

what are you waiting for?

the miracle
is in your heart...

don´t stumbles
over yourself,
comes along the river...

someone needs your rainbow
nobody forgot the sun...

some people only have
clouds of dust
in their lifes...
you must be there
if you try...

life isn't a rock lost
in the depths of the ocean...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 25 de junho de 2010

DESPERTAR SEM MARGEM ( Livro dos vivos I)

Nos meus desígnios
abri o meu caminho
conheci o meu nome
e a minha fúria...

o brilho da espada
que me corta a alma...

deixa-me ficar
na tua margem,
não me afastes...

última chamada
p'rá barca
que atravessa o rio...

eu quero ficar
nessa margem...

foste tu que criaste
o único ar que respiro...

deixa-me ficar...

desperta-me
na tua margem...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 24 de junho de 2010

HORAS SEM ESPAÇO (conversa com Alberto Caeiro XXVIII)

Entre horas sem espaço
eram as tardes
que se prostravam
em mim....

hoje os campos
sentem o cheiro
das vergáureas
deste verão...

para me agradarem
à sobremesa...

nem sequer sabem
onde estão...

estão por todo o lado
à minha procura
mas eu não fugi delas
foi de mim...

é por esses caminhos
que nos encontramos
mesmo no meio
das minhas pedras, lá estão elas...

é como se as pedras
dessem flores,
assim eu me vejo
sem dar pedras nem flores...

eu gosto de flores amarelas...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 18 de junho de 2010

OS NOSSOS DIAS ( Livro dos vivos III)

Abre-se uma janela
espreita o sol
entre folhagens
de um jardim que canta
uma manhã neste calor...

abram, abram todas janelas
deixem entrar esse dia
para as andorinhas voarem...

deixem entrar todos os dias
para poderem respirar...

o dia é para ser visto
por fora e por dentro
o dia é p'ra ser vivido...

deixem passar o dia
em todas as horas...

deixem entrar todos os dias
para poderem amar...

levam-nos esses dias
todos seguidos...
mas todos os dias
serão os nossos...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim

Covilhã

Covilhã

Coimbra

Coimbra