BEM-VINDOS E ESPERO QUE PASSEM UM MOMENTO DE PRAZER

O luar desconhecido que nos fascina e descobre na penumbra











Nem sempre há luar onde o homem nasce







MENSAGENS


MENSAGENS

Obrigado, Mário.. É uma honra e um prazer ler o quão bem escreve.

Um abraço

Pedro Abrunhosa





sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

AMA-SE ALGUÉM...

Passa por uma brecha
a ponta de luz
arqueada
que se levanta...nua
abstracta...

sangra poesia...lua
a mesma dor...

o seu adejo
sem cor...
no vento que levanta
a areia...em maresia...

peixe no silêncio
das águas
que se fundem
suspensas no olhar
nocturno...e mais além...

bebe-se o mar
ama-se alguém...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

TU CONSEGUES...

Um manual. Uma memória
tu consegues.
uma promessa que nasce...

passo a passo
a força aparece...

esfuziante
nem sempre
brilhante
tu consegues.

tudo é possível
se estás disponível...

último dia
como o primeiro
pouco a pouco
alguém respondia :

Um manual.Uma vitória !

Mário M.Carvalho

DEPOIS DO DESEJO...

Esqueceu-se a tarde
esqueceu-se a noite
fugimos descalços
depois do desejo...

nas horas escuras
apenas os traços
que nos desejam...

pedras de sal
que nos cegam...

depois do desejo
despe-se o dia
que já não vejo...

Mário M. Carvalho

sábado, 18 de dezembro de 2010

UM INSTANTE DISPERSO...

Nas palavras rasgadas
que se soltam
entre olhares vagos...

silhuetas esfumadas
nos lençois
desertos...

paixão
esquecida
lembrança submersa
foragida...

volta
dispersa...

um instante
perdido

distante....

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

SÓ UM VERSO...

Caí na tarde calma
dos teus braços
onde as ondas
dançam
e o mar vai e vem
em pedaços...

o teu corpo
de raios de sol
que se abrem...
nascem aves
brancas
em voos que ardem...

nada importa
na melodia do tempo
nem a chuva
nem o silêncio...

só um verso
um  momento...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

SEM FALAR...

Noites por decifrar
nos meus ouvidos...

a voz a passar
o que não vi....

era o mesmo
à minha revelia
sem nada
não ouvia...

ainda sorria leve
o que ficava
era tão breve...

deixei cair o mar
naufraguei o horizonte
alguém passou
sem falar....

Mário M.Carvalho

Liu Xiaobo Discusses Freedom of Expression in China

domingo, 12 de dezembro de 2010

LIU XIAOBO

No teu segredo
escondem-se pilhas de mortos
e as mordaças dos que nascem...

Liu na paz
de todos os choros
sem muralhas
que te sofoquem...

longos os dias
que esperamos
nas tuas grades
e olhamos
as serpentes que
te enrolam....

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

ATÉ AO FIM...

Batem horas
dias
entre selvas
e orvalhos de manhãs
que nascem...

noite , outra noite
que vai e volta
no mesmo fio
da madrugada...

guardam
as horas
batem e rebatem
os sinos que nunca
param...

ainda são
os mesmos dias
sem fim
os que voltam...

ficam perto de mim
até ao fim...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

REGRESSEI...

Lancei os dados
na manhã fria,
caíram entre mim
e o chão...

ficaram presos
nos silêncios
onde esbarraram...

apaguei as lanternas
que queimavam
a escuridão
e abri as janelas...

fui pelo dia fora
à procura da noite,
encontrei
dentro de mim...

regressei
lancei os dados, etc.

Mário M.Carvalho

sábado, 27 de novembro de 2010

ABRI UM LIVRO...

Abri um livro
que chamou por mim...

sou andragogia...

espelho de palavras
que fazem navios
carregam pedras
constroem pontes
cultivam as terras...

pessoas
que lavram
o mesmo futuro
nos sonhos
que guardam...

no mesmo caminho
nesse mesmo dia...

abri um livro
que chamou por mim...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

NADA, NEM NINGUÉM...

O homem nasce pequeno
no regaço de sua mãe
vai crescendo
vai à escola
sai à procura de alguém...

logo, logo
tem barba
um fato macaco
uma gravata
não vê ninguém...

corre, pára
uma porta
a ranger
entreaberta
escadas a subir
e a descer...

nada
nem ninguém...

só o regaço de sua mãe...

Mário M.Carvalho

NÃO QUERO ESQUECER...

Quero esquecer
a tarde escura
lua escondida
serranias fémicas
que acolhem todos
os relâmpagos
e chuvas diluvianas...
ab-rogação perdida!

não quero saber
se amanhã está frio
ou calor
os meus olhos
hão-de dizer...

não quero saber
se passaram noites
entre tantos dias
sem te ver...

hoje vou sentir
hoje vou viver

não quero esquecer!

Celia Cruz - GUANTANAMERA (Greek Subtitles)

domingo, 21 de novembro de 2010


MADRUGADA

voltou a madrugada
porque quer ver-te
porque te deseja
porque quer despir-te

sábado, 20 de novembro de 2010

DESESPERO DA NOITE...

Escuta o som do vento
que repentinamente
se incorpora
no obscuro pensamento
da noite
que vem de fora...

a hora apagada
que não te mostra
o tormento
da noite
que foge do vento...

desespera pela luz
em demora
que lhe conjugue
as transparências
nas gotas de orvalho
semeado
em saliências...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

BEIJO NO JARDIM...

Espero-te no jardim
entre folhas caídas
rasgadas
pela fúria da chuva
persistente
no meu corpo...

aperta-me
no teu abraço
indeciso
beija-me de pétalas
líquidas
como a seiva
que me escorre...

eu quero estar presente...

Mário M.Carvalho

SEM SALIVA...

Inquieto olhar
em sobressalto
perdido
que se esconde à janela...
adormecido...

abre um jornal
em páginas despidas
com sílabas geladas...
escurecidas...

vai percorrendo
textos e agonias
até a alma
ficar petrificada...
cansada...

sem saliva
levanta os olhos
na surdez da tarde
cinzenta de raiva....

sangrada...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

TRÊS COISAS...

É sábado
passa uma mulher
com três coisas
e um sorriso dourado,
o filho do meio,
a chave de casa
e um saco cheio
de sonhos... pendurado...

passam sempre
mulheres com três coisas...

no horizonte
desenhado
pelas mãos delas
o céu é largo
as cores são feitas
por elas
e corta-se o travo amargo
das vielas estreitas...

só elas sabem...

três coisas...

Mário M. Carvalho

terça-feira, 16 de novembro de 2010

LIVRES...

Livres
em correria
por esse leito
águas irrequietas
com esse jeito
de abafar ruídos
e intrigas...

em tempos
pareciam diferentes
com outro azul
por essas léguas,
mais íntimas
e quentes...
bem mais quentes...

gostam de vir de longe
têm pressa
não se escondem...

há muito, mesmo muito
sabem o caminho
que nos ensinaram...

levaram-nos
sim...
noutras correntes,
só nos enganaram...

as águas
ai..as águas
continuam livres...

Mário M.Carvalho

domingo, 14 de novembro de 2010

ILUMINEM-SE...

Iluminem-se
p´ra pregar ao povo
sem fantasias
em vermelho, rosa, laranja
e do lado oposto...

contrastem-se...connosco

não esqueçam
a cor da miséria
chorem, riam...hoje!
queremos verdades
não mintam
de cara séria...

insanos !
deixem-nos a vida...

Mário M.Carvalho

sábado, 13 de novembro de 2010

O CAIR DA TARDE...

Não serei o último
em delírio sem futuro
demónio porventura
em tormento
a caminho da loucura...

quantos serão ?
sem ofício p´ra viver
que se vestem,comem...andam
a ver o sonho a sofrer...

o arco-íris esfuma-se
com o cair da tarde
teimosamente amarga
vestida de negro... que arde...

Mário M.Carvalho

CONTOS...

Populares e articulados
aderentes à língua nativa
que eles salvam
sem rigidez narrativa...

permanecem
sem perder
o dialecto temporal
que os encanta
e faz viver...

movem-se
geograficamente
contos 
humanos...genuinamente...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

PREFERIA...

Preferia saber
de que cor
eram essas fatias
do meu tempo,
se ainda existisse
nesses dias...

preferia saber
porque parti,
onde estava
quando me esqueci...

perdi alguém
por aqui...

preferia não saber...

Mário M. Carvalho

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A NUVEM DO SUL

Perdido entre tardes e noites
vem o calor e a sede
andam corpos esquecidos
que se abraçam num suspiro
num encontro de circunstancia
uma palavra
um romance
esse sabor picante
de um sul fresco e doce
que nos embala
nos aquece
e entre sonhos perdidos
nos adormece

Mário M.Carvalho ( gota de amor)

PRESENÇA

Pessoas que connosco se cruzam
processo indisciplinado
que gera amizades

acto contínuo
numa vida agitada
como a sereia que nos fascina

esse andar descalço
entre o único momento
em que nos encontramos

Mário M. Carvlho - 1985 ( Incertezas)

LIBERDADE

Que gosto a mel,
que perfume se envolve...

parecem estrelas de um universo mais forte

qual primeiro momento !
que sentes tu nesse mar ?

o aroma do pólen
num amanhecer permanente

acorda no meu leito
esse sonho que aumenta

a esperança já não cai
nem o sabor desse encanto

Mário M.Carvalho -1986 (socialmente historico)

VERÃO

Sintam a luz da paz
abram a alma
respirem esse ar doce
com calma...
quem não será capaz
de sorrir a uma criança
que brinca na praia
e solta a esperança
do mundo que sonhámos
e nunca alcançámos...

Mário M.Carvalho ( Incertezas)

DESTINO

Atravessa o mundo
parte na tua saudade
entre poemas
salta o muro da verdade
e descobre a esperança
nesse desejo
da vida que não se alcança
nessa amargura
entre os dedos
na alma rasgada
de sofrimentos
na força que ainda sentes
nessa dor que te atormenta
e cansa
num sonho que te alimenta

Mário M. Carvalho ( Incertezas)

NOITE AO LUAR

Nessa noite entre palmeiras
de corpos nus
sente-se o cheiro do mar
o sabor do vento
a cor do teu cabelo
perdida no luar
que nos despe
e te recorta os seios
nesse aroma de mel
dos teus beijos
nas tuas caricias
que nos excitam
e conduzem
entre sensações de prazer
longe da madrugada
que nos embala
e nos aperta
sempre perdidamente
até ficarmos suados
nesse perfume de marezia
que nos acorda
quando o sol começa a romper
e nos encontra
é tarde para esconder

Mário M.Carvalho ( gota de amor)

PELA NOITE...

Abre-se o pano
do palco da noite
para assistirmos ao teatro celeste
às escuras....em silêncio...

passeiam estrelas
cada uma de sua cor
entre brilhos e pontas de prata
dançam e dançam
vê-se andrómeda acorrentada...

entram e saiem mais estrelas

e passa a lua entre os dedos,
dança também a terra...

e vieram as cidades e os campos
ver o brilho da noite
o mar vestiu-se de seda...

ouviram-se músicas
e lamentos e mistérios
a noite encobriu desgraças,
há várias noites na
mesma noite...

por que noite se soltam as estrelas
e nos querem ver...
vêm de longe, muito longe
ficam até adormecer...

e anda o sonho no meio delas...

Mário M.Carvalho

É OBRIGATÓRIO

É obrigatório cumprir o desejo
não fales muito mais
o desejo não fala nem ouve
cumpre-se...

É obrigatório cumprir um beijo
sente-o no prazer
abre o peito
deixa o teu corpo arder...

É obrigatório cumprir o amor
sente o coração
abre-lhe as asas
deixa-o voar....

É obrigatório ser feliz
agarra o sonho
ainda existes...és tu
cumpre o que a alma te diz...

não vale a pena sofrer
basta morrer...

Mário M. Carvalho

O TEU LIVRO

Abre esse livro
procura-te
vê em que página ficaste...

hás-de encontrar
o que perdeste
e recomeçar...

o teu livro
esteve sempre ali
à tua espera
dentro de ti...

continua
na página seguinte
que tu não quiseste ler...

mas está lá o que procuras
bem escrito:
deixa que te descubram!

não feches essa página
e lê a seguinte:
ainda és capaz
de fazer sonhar...

alguém te procura
no teu livro
ainda és capaz de saber amar...

Mário M.Carvalho

DESPE-TE DE BRANCO...

Veste-te de branco
na noite escura,
como a vela dum navio
que vem de poente...

chegas a tempo
da noite quente...

dança,
abre o teu encanto...

não percas a noite
que vestes de branco,
serve a tua frescura...

é a ti
que procuram
na noite escura...

despe-te de branco,
sente a noite
que será tua...

Mário M.Carvalho

O ESCURECER...

Esforços inúteis
a politeia
é atropelada
ensombrada
dia após dia...

condenados...

não existe
uma eunomia
digna...

pede-se estabilidade
para sofrer

uma democracia
para perder...

entre caminhos
difíceis...

o escurecer...

Mário M.Carvalho

domingo, 31 de outubro de 2010

SEDUÇÃO...

Gestos suaves
um corpo
livre
num andar
que foge
de salto alto...

o perfume...

um baton
doce
da cor das unhas...

o peito
vivo
num decote
rasgado...

um Shiraz
Argentino
e um nocturno
de Chopin...

um sorriso
íntimo...

uma rosa
vermelha
escondida
no olhar...

uma serenata
um poema
em qualquer
luar...

Mário M. Carvalho

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

ESCONDIDOS DO SOL...

o sabor das palavras
que se cruzam
com o vinho de Pécs
entardece o paladar
dos sons
que se adoçam
e se percebem....

na orla do silêncio
desaparece a voz
e a memória áspera
desalinhada
em ruídos surdos...

ouve-se o canto
quebrado
uma derrota abafa-se
brandamente
no som de um violino
distante...

ondas sonoras
que percorrem
os séculos da noite
e se repetem
simetricamente
como o pó
que se desenha
no dobrar
de uma folha de papel...

escondidos do sol
como as serpentes
rostos desinteressados
numa agonia
inapelável...

o vento sacode
os sofrimentos
que se entrelaçam...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

INCONSCIENTE...

Está entre as mãos, entre nós
o teu lugar, que me sobra
quando respiro e não vejo
alguém ainda sente
o que ficou para trás
irreversivelmente...

despejei nas palavras
as certezas ignoradas
uma ave errante
de paixões solitárias
com voz no coração
de virtudes sem coragem
para dizer não...

a última essência
uma harmonia livre
sem qualquer glória
que acaba por se perder
inconsciente
e que fica até morrer...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DESAPARECEM...

Ainda aqui estou
no rosto
que se cansa
nessa manhã
de outono...

depois de ver
o sol
que me aperta...

suspenso
entre mim
e o universo...

os olhares
que me perseguem...

só ficam as sombras
que desaparecem...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

ALMA NUA...

De uma vez
solta
as fúrias
que se desenham
não te percas
dentro de ti
abre as palavras
que te sufocam
desce a madrugada
fria e crua
atravessa
os sobressaltos

despe a tua alma
a vida é nua...


Mário M. Carvalho

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

DE VEZ EM QUANDO...

Passa um momento
na folhagem
que se agita
a contemplar o prazer
a desejar
o que sempre
nos fugiu
somos assim
como o vento
e ficamos calados
passamos por nós
de vez em quando
mesmo sabendo
quem somos
choramos

de vez em quando...

Mário M. Carvalho

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SEREI EU ?

neste suspiro
sem fôlego
rasgou-se
a surpresa...

entre véus
de espuma
abriu-se
o sonho...

uma réstia de mim
respirou
um alivio
sem dor
renasceu...

serei eu?

Mário M.Carvalho

A MESMA RUA...

Não encontro
a mesma rua
por onde passei...

procuro
incansável
um sinal
uma ponte...

tudo
inconstante
diferente...

a mesma rua...

não sei
já não sei
por onde andei...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

UM FIO DE FUMO...

Um vazio
e um nada
que se escondem
entre mim
e Kepler
nas minhas
seis saídas
que se desfazem
em água a correr
como a sua neve...

um fio de fumo
que se estende
em mim
ao de leve...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 5 de outubro de 2010

SINESTESIA...

Percebe-se
na tua pele
o teu som,
sinestesia
adormecida
que me transforma
na dor
de não te ver...

respira-se
o teu sabor
entre
palavras
de várias
cores...

um sentido
a mais
no destino
despercebido
que nos afastou...

resta o olhar
que me fixou
num infinito
sem luar...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 28 de setembro de 2010

NÃO ESPERES...

Não esperes por mim
não me digas
a que horas,
eu sei
porque choras...

é de ti
que preciso,sim
fui eu que fugi...

na penumbra
que me esconde
desapareci...

sem saber
onde vou
não esperes por mim...

Mário M.Carvalho

domingo, 26 de setembro de 2010

ENTRE LUGARES...

Entre lugares
passam nuvens
passam cheiros
o sol e a chuva
passam desejos...

montanhas
desertos
planícies
passam rios...

passam mares
e marés
barcos,muitos navios...

passa o vento
entre nós...

não há longe
nem perto
só o tempo

entre lugares
que nos procuram...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

SEM AURORA...

Fecha-se um sorriso
desenterra-se
a inquietude...

pairam
desesperos
amorfos,
soluçam
num choro
escuro...

emalhado
numa barga
perdida,
um alento
de longe
quer ouvir-se...

um despertar
sem aurora...

sem manhã
sem dia
nem hora...

Màrio M.Carvalho

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ÀS VEZES FICO SÓ...

Sabem
eu às vez fico só...

num sorriso
de menino
que guardei...

ninguém me ouve...

releio-me
do princípio
ao fim...

é o meu jogo
nos trunfos
que perdi...

desligo a música
e bebo,
afasto-me
ao abandono...

vejo que ainda
não cheguei,
espero por mim...

sabem
não gosto
de ficar só...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 14 de setembro de 2010

EU HEI-DE ME LEMBRAR...

Eu hei-de me lembrar
de te amar
nas dunas desertas
que não conheço...

eu hei-de caminhar
entre o sal
do nosso mar...

eu hei-de me lembrar
de te amar
num verso
que adormeceu...

eu hei-de procurar
na tua espera
um lugar
onde não fui...

eu hei-de não voltar
na alma
de quem partiu...

eu hei-de me lembrar
de te amar...

Mário M.Carvalho

AS PALAVRAS QUE ESQUECI...

Eu aprendi
as palavras
que secaram
no precipício do tempo...

queria cantar
os sons
que dançavam
no teu corpo....

passei sem parar
na rua
em que não te via...

alcança-me
a tortura
na minha fuga...

descalça-me
o sentir
num pesadelo...

queria as palavras
que esqueci...
que perdi sem rasto
de mim....

Mário M.Carvalho

A NUVEM DO SONHO...

A nuvem do sonho
permanece
inventa o que não existe...

inquieta
sobre o chão que fica
não desiste...

sobre ti
desce ao horizonte...

rasga
ultrapassa-te...

sem limites
na espuma do vento...

não desiste...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

ONDE TE ESCONDI...

A luz suave
que se reflecte
nos teus olhos soltos
de brandura...

quero um retrato
uma gravura...

p'lo teu olhar
passa um murmúrio...

será o teu nome ?
eu vou buscá-lo...

tenho um luar
onde quero guardá-lo...

um silêncio
onde te escondi...

um poema
que te escrevi....

Mário M.Carvalho



NÃO ENCONTRA...

Dinâmica, expectativa
novas emoções...percepção...

depois de viver o presente
num desencontro
com o passado...desilusão...

mentalmente selvagem
uma herança desinibida
alguma coragem...

protege-se...culpa-se
não encontra...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

EM FRENTE...

sacudido por convulsões
em sonoras gargalhadas
que trespassam
o sossego da noite...

um devaneio
para espantar
uma grande tristeza
ou um passeio...

caminhava exausto
num labirinto

nunca aprendeu
a olhar p'ra trás
amanhã...o futuro
que nunca temeu...

o deslumbrar
permanente...

abre-se uma janela
invisível...
uma vontade
que não conforta
nem resigna...

olha em frente...

Mário M.Carvalho












quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Joey Calderazzo "Haiku"

NAS MARGENS DO TEU OLHAR...

Nas margens do teu olhar
nasce um poema
que é teu...

só tu sabes ver
o que se abriu
alguém apareceu

nas margens do teu olhar

passou por aqui
essa flor
que nasceu só p'ra ti...

é a única cor
que consegue brilhar

nas margens do teu olhar

é o teu mundo
na tua mão...esse poema
essa flor...

não a deixes secar...

Mário M.Carvalho






SEM VER...

Abre o caminho, fica
vais e vens
larga tudo...

pára
se queres começar
onde ficaste...

não há mais nada
nem além...

só tens
o que nunca deixaste...

abriu-se, sem parar
onde caiu...

sem ver
o que nunca viste
é pior, muito pior
do que sentiste...

Mário M.Carvalho

QUANDO TE ENCONTRAVA...

Sempre estiveste
presente
no meu sentido...

quem mais
te procurava...

passam debaixo
das árvores, caiem folhas
muitas
tudo o que secava...

mas era sempre
na mesma tarde
e na mesma noite...

havia sempre mais,
tudo, tu e eu
quando te encontrava...

no meu sentido ausente
no teu calor presente...

Mário M.Carvalho

DESENCANTO...

Naufragado
na imensidão do vazio
das páginas ocas
que te visitaram...

tinta a mais
palavras a menos...

invisível
entre o que não existe...

o sentido
sem sentido
que persiste...

o encanto
que não aparece
ou o desencanto
que permanece...

um Ser
desordenado
que não te esconde...

Mário M.Carvalho








quarta-feira, 8 de setembro de 2010

INVERNO

Pairam as nuvens, foge o sol
soltam-se as gaivotas, dançam
perto das nuvens, despedem-se do mar...

vem lá tempestade, dizem sempre
debaixo dos alpendres, os sábios do mar...

começa a sentir-se a nortada, nessa tarde
as ondas já não param, a chuva logo anoitece...

tudo em terra, chegou o inverno
e muito depressa , acontece...

chegaram ao fim os dias calmos, perdem-se as horas
o frio não descansa
parece que as cores já não existem, eram raios de sol....

ficamos aqui sentados , o molhe começa a ser batido
não param as vagas , a água quer fugir do mar...

o barulho natural entre os gemidos do vento
as portadas que abanam, os barcos que ficam
areais despidos, tudo tem o seu tempo
p´ra ficar só....o mar...

Mário M. Carvalho


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

UM POUCO...

Um pouco de terra
um pouco de sol
basta um pouco de verdade...

um pouco de tudo
será sempre
um pouco de liberdade...

todos querem tudo
eu fico só
escondido em mim...

um pouco de paz
um pouco de vida
tudo o que dei
que ninguém quer...

é só um pouco
de tudo o que sei...

Mário M. Carvalho

domingo, 5 de setembro de 2010

O MEU VOO...

Voo através de mim
nas minhas escarpas
silenciosas...

o mar ao fundo
bate desenfreadamente
em vagas ruidosas...

o vento que me
corta as asas
lança o grito
da minha raiva...

o meu rosto
que passa
e desfalece...

perdem-se as garras
no voo
que se esquece...

vejo que me desfaço
e entrelaço...

Mário M. Carvalho

A MINHA RESPOSTA...

Por aqui e por ali
passam os meus olhos
perdidos em desilusão
era para estar
entre, pelo menos,
eu e alguém
que me falasse aqui...

alarga-se o passo
e ficam as várias perspectivas
cortadas
e recortadas...

se vejo de longe
tudo parece pequeno
e simples...
é sempre maior que eu
o que me espera...

ainda tento sentir
que me falta essa linha
onde se cruzam os oceanos
do pequeno mundo
que eu já não tinha...

mas fico sem espera
nessa dúvida
que não aceita
a minha resposta...

Mário M.Carvalho


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

UNIVERSO...

O universo
é mais que um imenso deserto
mais do que todos os mares
com ondas de luz
muitas, muitas cores
que nos perseguem de negro
e se apagam na nossa cruz...

o universo desconhecido
perturbante
interpretado
indefinidamente
em equilíbrios
e fugas...

poderemos ver
além do universo
ou cegarmos
no nosso reverso...

Mário M.Carvalho




quinta-feira, 2 de setembro de 2010

A NÃO EUROPA...

Nos não caminhos
da in-descoberta
há uma vida dispersa
e inflamada...

rostos incultos
que respiram
indiferença...

é o não caminho
impróprio
numa raíz infestada...

é um não caminhar
entre indecisões
e imprudências...

as in-soluções
nesta derrocada
in-percebida...

a não europa
dos in-competentes.


Mário M.Carvalho



quarta-feira, 1 de setembro de 2010

MENINA ESTÁS À JANELA - tradicional

NÃO SEI...

Não sei
na razão que se esconde
se me descobri
ou fui para longe...

não sei
se ando vestido
porque me observo
no lugar de hoje
dentro dos muros
em que me reservo...

não sei
viver sem mim
passar ao meu lado
navegar no nada
e sentir-me afogado
não ver o meu fim...

não sei
se existiu o meu tempo
ou um corpo a mais
na sombra do vento...

Mário M.Carvalho








terça-feira, 31 de agosto de 2010

HÁ SEMPRE MAIS DOR...

Há sempre mais guerras
há sempre mais fome
e amargura...

há sempre mais desemprego
há sempre mais meninos pobres
e meninas que choram...

há sempre mais mães desesperadas
há sempre mais filhos que sofrem
e solidão...

a menos vem sempre a Humanidade
abandonada...

e sempre menos sorrisos
e sempre mais quem não tem nada...

o sol e a dor
não são da mesma cor...

Mário M.Carvalho





domingo, 29 de agosto de 2010

SER PEDRA E SERRA...

No sossego da montanha
ouve-se a água
que corre persistente...

um eco entre a folhagem
desce a serra
ao de leve
entre as escarpas
ali, expostas
entranhadas na terra
desenhadas no vento
por penas brancas de neve...

uma fria aragem
docemente...

no calor desta manhã
que me chamou
respirei a cidade
nas cores e nos rostos...
simplesmente...

nada secou
as lágrimas e o suor
que salgaram estas pedras,
estas calçadas...

alguém as sofreu
e amou
eternamente...

esse granito
que nos veste de lã
soube esperar no tempo...

quem sonha, sente
pode ser pedra e serra
e sabe ser Covilhã
profundamente...

Mário M.Carvalho

domingo, 8 de agosto de 2010

SOMOS...

O dia que estamos presentes
é o mesmo em que somos nós
ou aquele em não valemos nada

somos tudo no mesmo dia
desde que sabemos quem somos
ou quem nunca seremos...

entre tantas diferenças
não descobrimos
quem somos....

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 30 de julho de 2010

loving you minnie riperton

GOTAS DE ÁGUA...

Há um chapinhar
numa água presa...

escondemo-nos
em cada gota
que salta...

somos todas
essas gotas,
cada uma leva-nos
só p'ra si...

como se tivessemos
perdido gotas
em todos os lugares...

foi como nos conheceram
a gota que deixámos
no album de alguém...

e será assim
que ficaremos
nas gotas
dessa água que perdemos...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 29 de julho de 2010

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Andreas Oberg with Marian Petrescu - AM Call

À ESPERA...

Encontrei uma chave
enferrujada
debaixo do meu tapete...

uma espera
que permanece...

como o ocaso
espera pela noite...

espera-se
um beijo,
uma palavra...

fico eu e a noite
à tua espera...

sou levado
por sonhos e luares
que não me esperam...

o sol não esperou,
a noite não quis ficar...

os pássaros e as flores
não podem esperar...

e lá estava
a mesma chave
que ficou...

Mário M.Carvalho

sábado, 24 de julho de 2010

quinta-feira, 22 de julho de 2010

AS SOMBRAS...

Sente-me de perto
na penumbra
difusa...

algum eco
entre cores esfumadas
no fundo das sombras,
um sopro aberto...

na tua sombra paralela
desenrolada
imprecisa...

um desenho
incompleto
na minha luz...

a tua distância
cruzada
na minha sombra...

o teu rosto
fresco e solto
entre o teu corpo
e o meu
dispersos na mesma
sombra...

Mário M.Carvalho

Wolfgang Amadeus Mozart - Piano Concerto No. 21 - Andante

Rubinstein plays Tchaikovsky Piano Concerto no.1 op.23 - (1/4)

terça-feira, 20 de julho de 2010

UM ADEUS...

Não te conheci na noite que choravas
e te despias
entre penas vermelhas e brancas...

o teu corpo era uma recordação
que já não falava de ti
nem dos teus sonhos
já não falava de ti...

eu olhava-te
e esperava-te sempre
nos meus lábios
como uma nuvem
que me encobria o céu
uma nuvem...

nas minhas palavras
só existe um fogo seco
onde os sons
são raiva de mim...

um navio afundou-se
nas nossas águas
e levou
tudo o que tinhamos
nas nossas águas...

ficou um adeus
entre palavras
que já não falavam
um adeus...

Mário M.Carvalho

ENTRE MIM...

Queria saber falar
todas as línguas de babel
poder percorrer
as profundezas da terra
subir a todos os astros
e andar de rojo pelo chão...

a vida existe
além do que eu observo
e deslaça-me...

o meu cérebro
esmaga-me...

queria abrir
as minhas águas
e atravessar-me...

nunca vi
o ar que respiro...

sou-me intangível
e estou aqui...

Mário M.Carvalho

sábado, 17 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

SOLO PER TE...

Come il mio cuore
sogna quando ritiene
le tuoi parole…

lascia-me sentire
le tuoi labbra sottili
sorridere per me…

desidero perdermi
con te in tutte
le foreste
in tutti i mari…

lascia-mi caduta
e rebolar
da tutte le colline
che arrivano ai tuoi piedi…

non desidero
un'altra musica
per cullare
né altre
occhi per baciarmi…

Mário M. Carvalho

Beniamino Gigli - Mamma

Roth and Le Roi perform "Papagena / Papageno!"

Rainer Trost - Ferrando's "Un aura amorosa" (Paris 1996)

terça-feira, 13 de julho de 2010

segunda-feira, 12 de julho de 2010

TODOS OS ANOS...

Anos
nascem todos os anos
tantos anos...

já nem sabemos porquê
passamos uns pelos
outros... anos...

são o que somos...
somos muitos anos
porque ainda queremos...

temos de viver cada ano
para juntar
todos os anos...

nunca fazemos anos
eles é que nos fazem e
desfazem a nós...

Mário M.Carvalho

domingo, 11 de julho de 2010

VENCER...(Livro dos vivos IX)

Encontrei-te
enlaçada
por serpentes
e acorrentada...

estavas onde
já não havia nada...
esperavas um sorriso
e nem o sol
nascia nos teus dias,
não havia nada...

a noite desaparecia
entre barcos perdidos
que não regressavam
ao teu porto...unidos

sozinha
conseguiste ficar de pé
junto de ti
arrancaste as tuas correntes,
uma a uma...

tinhas um barco à espera
entre os juncos...na folhagem
da beira do rio
atravessaste a tua margem,
p'ra sempre...

tinhas a chama
regressaste do vazio
numa aurora percebida
venceste a lama
já não estás desaparecida...

Mário M.Carvalho













quinta-feira, 8 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

YOUR CHANCE

Open your winter,
sings your favorite song
with your friends
and says to them
who are you,
what you want...

walks in the dark night.
through the mirrors
that will scare you...

breaks the windowpanes
and walls that block you...

make a new design
and paint it with your colors

you are in the other side
of the street waiting for you...
no one raised the stones
of your way...

now it´s your chance
who can tell ?
it chooses for you...

Mário M.Carvalho



HORIZONTE...(Livro dos vivos VII)

Gosto de ver esse risco
desenhado no fundo do horizonte
onde o céu se esconde do oceano...

é um traço perfeito,
onde mergulha o pôr-do-sol
e se afoga o dia persistente,
desfeito...
vejo ondas nas praias do meu sol
a arder intensamente...
levanto um punhado de areia no ar
mas não consigo apagar
esse fogo que me arde consistente...

vejo ao longe
a quebrar essa margem,
navios e veleiros,
não dizem p'ra onde vão...
gostaria que me levassem
p'ra ver o meu horizonte,
a minha imagem...
ficam escuros, tão escuros
que já não são,
parecem sombras desenhadas
no tempo...
não trazem tesouros,
nem lamento...

aguardo aqui sentado
e vejo o último suspiro
em que o sol padece
desesperado
à espera da lua...
não aparece
na luz escurecida
para segurar
essa linha que me afaga....

numa despedida
que não se apaga...

Mário M.Carvalho








segunda-feira, 5 de julho de 2010

O QUE FICOU... (Livro dos vivos VI)

Nunca me passou
esse sol fresco
que comigo navegou
por muitos locais e horizontes
que visitei
onde...de certo,
nunca mais voltarei...

eram cidades, pradarias e mares
foram desertos e savanas
montanhas,lagos e rios...
fui eu que lá passei
sim....e também amei...

por minha sorte talvez
por minha culpa...não sei...

ainda sinto esses olhares
mesmo sem espaço...em mim

foram gotas de água
que me salpicaram....e o luar

o desenho que esbocei
perdeu a cor
e eu já lá não vou...

mas foi esse sabor
agri-mel...que ficou...

Mário M.Carvalho






domingo, 4 de julho de 2010

POR TI...

A vida tem montanhas
que se estampam contra nós...

chora tudo
que não conseguires dizer...
rasga o tempo
que te atropelou...
deita fora
o que apodreceu...

canta as palavras
que lês a preto e branco...
tira uma fotografia
de corpo inteiro
e vai reconstruir o teu puzzle...

abre a porta
deixa sair a noite
que te escureceu...

refresca-te nas águas límpidas
de um novo rio...

sente por ti
o que ninguém
sentiu...

Mário M.Carvalho




O MEU DESERTO...

Consigo ver desta sala
o mundo inteiro
sentir todos os gestos
ouvir todos os passos...

não me consigo ver a mim
nem longe, nem perto,
perceber os outros é mais simples
e sorrir é fácil,
nada é certo...

ainda quero ouvir cantar,
ver o rosto daqueles que amam
e dos que sofrem...
passo a vida
a preencher o meu deserto...

Mário M.Carvalho



sábado, 3 de julho de 2010

PEREGRINAÇÃO

Serpentina humana
apaixonadamente envolvida
em romances hipnóticos
numa crença envelhecida...

perversa falsidade
em elegantes jornadas
por caminhos lamacentos
quanta ingenuidade...

Mário M. Carvalho 1985

Concierto Paz Sin Fronteras II en La Habana Cuba 20 Sept 2009

Vieux Farka Toure

Oumou Sangare - "Wayeina" (Womad 2003)

VIVIR POR TI...

el dolor
que me ocurre
no es de tu amor
es de la llama
que me consume
el vientre
por no haberte
junto a mí...

quería siempre
sentir
el sabor
de tu cuerpo
en mis palabras...

nada tengo
para decir
que tú no sepas de mí...

tu eres mí
sentir
sólo quiero
vivir por ti...

Mário M. Carvalho

ARMADOS

Salteadores de outras paragens
que se aproximam,
calados e tenazes
que se perdem
e confundem...

abutres de garras abertas
no espírito encurralado
por ideais masturbados
de sarcasmo céptico
e fardas engomadas...

opressores e armados...

Mário M.Carvalho 1984(não publicado)

PERSEGUIÇÃO

Por caminhos perdidos em maresia
nos ombros de pérfidas ambições,
soluços de angústia que se alcançam
em ventos ofegantes de ironia...

banhos de frescura encruzilhada
entre paredes que se abrem
e desenham correntes de ilusões
na armadilha do nevoeiro
agigantado entre becos esguios
que nos afastam do caminho...

Mário M.Carvalho 1986 (Não publicado)

quinta-feira, 1 de julho de 2010

FUGIU-ME NO TEMPO...

Já me ardem as mãos
de bater no tempo que perdi...
era às vezes eu
que levava um castelo na mão...

saído de todas as estradas
e por alguns pinhais
fugiam como os ratos dos tremores de terra,
eram serpentes que se esgueiravam
e não tinham buracos em nenhum chão...

nem por essas montanhas
que têm águias a pairar
passava uma daquelas estrelas
que eu queria apanhar...

era sempre o morcego da noite
que visitava os currais
onde havia mais insectos...

eu fugia sempre
para cima das pedras,
conseguia ver a noite toda
e nem tinha de procurar...

depois tínhamos cerejas
bem alto, nas cerejeiras
nós, como macacos, subíamos
para as apanhar...era quase dia...

chegava cansado
mas trazia o meu castelo
debaixo do braço,
só via galinhas a esvoaçar
à minha volta...a manhã enlouquecia

mas já não havia ratos,
nem serpentes....viam -se as toupeiras
a levantar o chão...passaritos a voar...

estou desolado com o tempo
que me fugiu...
eu já sabia beber cerveja...e cantar
agora nem comer sei...
e era a correr que eu me cansava...

precisava de mais tempo
queira mudar as fontes
do meu pensamento...

Mário M.Carvalho




PACO DE LUCIA , John McLaughlin , AL DI MEOLA

quarta-feira, 30 de junho de 2010

UNE ROSE VOUS ATTEND

une rose fanée
le dimanche matin
et vous avez quitté
le même jour,
quelqu'un s'écria ...

combien de dimanche
à pleurer pour les roses,
combien de jours
à pleurer pour toi ...

quelqu'un était là
et même une rose
vous attend ...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 29 de junho de 2010

AS TUAS PALAVRAS (Livro dos vivos II)

Eu vim hoje
das palavras
que estavam junto de ti...

conheci-te,
estava na cidade
quando passaste por mim...

li as tuas palavras
mesmo quando
não falavas comigo...

passaram palavras
que se disseram
e desdisseram,
umas escritas
outras descritas...

Eu juntei-te
e trouxe-te
o que não tinhas...

coloquei-o
no seu lugar,
nas nossas palavras...

ficámos
juntos na mesma morada,
nas tuas palavras.....

Mário M.Carvalho


domingo, 27 de junho de 2010

CE QUE NOUS NE VIVONS PAS

Il ya toujours une vie cachée
à l'ombre d'un sourire...
ouvre les sens
nous nous serrons ...

on ne peut jamais marcher
dans le désert
perdu sur nous ...

dans cette rencontre
qui rapproche à nous
déchirant du temps...

regardez
ce que nous avons perdu ...

et rappelez-vous
ce que nous ne vivons pas ...

Mário M.Carvalho

EN TU MAR...

Parte el deseo mar adentro
en las olas de tu querer
sigo sólo mi destino
que no consigo ver...

me mira como el viento
y me deja ir contigo
quiero soñar con tu sonrisa
y vivir por un momento

quiero quedar en tu mar
muy lejos, lejos de aqui
jamás quiero volver
deja mi sueño volar...

Mário M.Carvalho

SOMEBODY

When you see the sky
you understands light...

what are you waiting for?

the miracle
is in your heart...

don´t stumbles
over yourself,
comes along the river...

someone needs your rainbow
nobody forgot the sun...

some people only have
clouds of dust
in their lifes...
you must be there
if you try...

life isn't a rock lost
in the depths of the ocean...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 25 de junho de 2010

DESPERTAR SEM MARGEM ( Livro dos vivos I)

Nos meus desígnios
abri o meu caminho
conheci o meu nome
e a minha fúria...

o brilho da espada
que me corta a alma...

deixa-me ficar
na tua margem,
não me afastes...

última chamada
p'rá barca
que atravessa o rio...

eu quero ficar
nessa margem...

foste tu que criaste
o único ar que respiro...

deixa-me ficar...

desperta-me
na tua margem...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 24 de junho de 2010

HORAS SEM ESPAÇO (conversa com Alberto Caeiro XXVIII)

Entre horas sem espaço
eram as tardes
que se prostravam
em mim....

hoje os campos
sentem o cheiro
das vergáureas
deste verão...

para me agradarem
à sobremesa...

nem sequer sabem
onde estão...

estão por todo o lado
à minha procura
mas eu não fugi delas
foi de mim...

é por esses caminhos
que nos encontramos
mesmo no meio
das minhas pedras, lá estão elas...

é como se as pedras
dessem flores,
assim eu me vejo
sem dar pedras nem flores...

eu gosto de flores amarelas...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 18 de junho de 2010

OS NOSSOS DIAS ( Livro dos vivos III)

Abre-se uma janela
espreita o sol
entre folhagens
de um jardim que canta
uma manhã neste calor...

abram, abram todas janelas
deixem entrar esse dia
para as andorinhas voarem...

deixem entrar todos os dias
para poderem respirar...

o dia é para ser visto
por fora e por dentro
o dia é p'ra ser vivido...

deixem passar o dia
em todas as horas...

deixem entrar todos os dias
para poderem amar...

levam-nos esses dias
todos seguidos...
mas todos os dias
serão os nossos...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 16 de junho de 2010

quarta-feira, 19 de maio de 2010

AMOR NATURAL

É a contemplar o mar
que me enfeitiço
pela natureza
que nos abraça,
sem nos ferir,
com toda a sua leveza
sempre a ouvir-nos
e pronta a ajudar...

mesmo desprezada,
ali está à nossa espera
com um pôr-do-sol
sempre quente
e mais amigo...

é nosso o seu amor,
fiel, está sempre ali
o ar que precisamos,
a água que bebemos...

e nós onde é que estamos?
não percebemos
esta relação profunda
que nos envolve...

quando sentirmos a sua falta
correremos a amá-la,
poderá ser tarde,
poderá ser nunca.....

Mário M.Carvalho ( eco chamada 1)

sábado, 8 de maio de 2010

Paul McCartney Hey Jude The Beatles CLASSIC- Back in the USSR & ISRAEL-G...

NÓS PRÓPRIOS ( Livro dos vivos VIII)

É no rasgar do noite
quando se calam os sons
que se ouve a respiração
e se sente o vento da alma...
levantam-se dúvidas
no bater do coração
que nos faz baloiçar
e sem sabermos
acabamos por nos levantar
e querer partir todos
os nossos pedaços
na ânsia de descobrir
se ainda resta alguma semente
da nossa existência...

vai à tua procura
e encontra essa rua
por onde não passaste
esse chão que ficou por pisar
e tudo o que nunca viste

estará lá o pedaço que falta de ti
ou nunca serás capaz
de te erguer como o pinheiro mais alto...

somos um remoinho
que se forma num furacão...

entre destroços do que fomos
e árvores que pretendemos ser...

Mário M. Carvalho

Só me interessam os passos que tive de dar
na vida para chegar a mim mesmo. (Herman Hesse)

Eric Clapton- Wonderful tonight (with lyrics)

Creedence Clearwater Revival - Have you ever seen the rain?

MOMENTOS

Há sempre momentos
de felicidade
entre família
e amigos
que nos sorriem
e nos animam...

É por isso que vivemos
e lutamos
mais um dia,
esse dia seguinte
que é sempre
cada vez mais importante...

traçado na rotina
vai escrever
a nossa história
onde se existe
e mal se vive...
uma realidade
perturbada...

há momentos
menos bons
em tudo,
aqueles em que já não sabemos
se depois de tanto suor
ainda sobra algo de nós...

os nossos sentimentos
serão a imagem
da força dos nossos momentos...

Mário M.Carvalho ( humanamente social)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pink Floyd - Wish You Were Here

EU APRENDI...

eu só aprendi...
a amar e a sonhar...

não aprendi mais nada
fui eu que escrevi
o que faltava
fui eu que parti e encontrei
vi o mundo
e sonhei...

voltei
p'ra viver o que aprendi
ler o que não sabia
desejar o que não vivi...

e quero ficar aqui
amar-te como sempre amei
apagar o que não gostei
escrever tudo a pensar em ti...

Mário M.Carvalho ( gota de amor)

The Rolling Stones - Angie (Lyrics)

Queen Love of My Life

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O MESMO CAMINHO...

Percorria os dias,
as semanas,
as horas passavam
entre viagens
a seguir o mesmo caminho
para estar perto
do teu calor...

era por ti
pelo nosso amor
que caminhavam
as horas do meu tempo
nessa ansiedade
dos dias que demoravam...

a cabeça rodava impaciente
e os meus olhos tentavam
encontrar o teu rosto
a cada momento...

chegava finalmente
junto de ti
e as horas desapareciam,
era sempre pouco
este tempo só nosso
que me deixava louco...

era entre nós
que me esquecia de tudo
e ficavamos só os dois
embebidos um no outro
noite e dia....

mas mais uma vez
partia...

contigo
no pensamento
para perseguir
o mesmo sofrimento....

Mário M. Carvalho ( gota de amor)

Scorpions - Still Loving you Live 2008

HOMENAGEM A RUY CINATTI

Ruy Cinatti Vaz Monteiro Gomes
foste tu que me ensinaste
a ler as palavras dos poetas,
contigo descobri-me por dentro
e por fora...
tu foste o candeeiro da minha rua
que transformou a minha noite
no meu dia...
foi em ti que eu encontrei o som
da minha poesia....
só tu conseguias ver deus em che
e vice-versa...
sabias ler todas as flores
e todas as cores...
já ninguém se lembra de ti
nem do teu sonho timorense...
no País mais antigo da Europa
onde a memória é mais curta,
tu foste um filho esquecido,
mas eu recordo-te aqui....

Mário M.Carvalho

The eagles - Hotel california (acoustic - Acústico)

PARA TI...

Nas margens do teu olhar
esconde-se o teu sorriso,
a tua doçura...
no teu rosto de pele suave
sente-se o mar
e a frescura...
no teu corpo rasga-se
o desejo
como se todos os sentidos
te beijassem...
e nessa tarde calma
os teus sonhos
se abrissem
para ti como um presente
no teu jardim
num renascer permanente...

Mário M. Carvalho ( gota de amor)

SEMPRE MEU...

nem tudo o que permance
será para sempre
nem acontece
como se deseja
teremos ou não
essa certeza
ou nunca estará
na nossa mão...

pode fugir tudo
como água a correr
será tudo igual
ou nós a escolher
sei que será
como sempre foi...

eu vejo-te aqui
só penso em ti
e o teu amor
será sempre meu.....

Mário M.Carvalho ( gota de amor)

Status Quo - Restless

Led Zeppelin - Stairway To Heaven (HQ)

ABRAÇADOS

Espero encontrar-te sempre
quando chego tarde
quase todas as noites
e sempre a minha almofada
junto a ti...
a cama está quente
como o teu corpo
mas eu não tenho horas
nem dias...
Ai se uma pétala se abrisse
na minha saudades
e eu não tivesse
perdido o meu tempo
teríamos sempre
mais um momento...
as meninas dormem
pela madrugada
mas esta mais pequena
espera sempre o meu colo,
adormece contigo
p'ra eu depois a deitar...
e tudo isto passa
com os nossos anos
tudo isto voa e foge
rapidamente
e quando acordarmos
uma manhã
estamos os dois abraçados
mas o tempo já passou
entre nós...

Mário M.Carvalho ( gota de amor)

ROMARIAS

Passaram entre as tardes
com doces e merendas
nesses dias de festa
e romarias...
são sempre os mesmos
manueis e marias
todos de um país de tradições
atrás dos seus santos preferidos
ou todos os santos
porque cada um tem seu andor...
e lá vão os anjinhos
crianças vestidas a rigor
em fila indiana
cada uma de sua cor...
a banda vem atrás
onde sobressaem os testos
que abafam alguma desafinação
dos saxofones e clarinetes...
no fim vem o respectivo pálio
mais os outros crentes
com as velinhas na mão...
de repente lembrei-me
do João Vilaret a cantar:
tocam os sinos...
e assim seguiu a romaria
com a devida procissão...
depois é hora de merendar
em amena cavaqueira
e foi assim
mais um dia p'ra recordar...
da religião
p'ra bem de todos
resta apenas o que sobrou
do garrafão....

Mário M. Carvalho ( humanamente social)

Kenny G - Theme from Dying Young

DESFAZER...

És a única
presença acabada
que ainda tenho em mim...

nesse desfazer
que se me instalou
ficou o que sempre quis...

o teu coração perfeito
e eu o que posso dar,
a verdade...que não tenho jeito...

é só para poder pisar
o teu chão, por onde passaste...

eu não mereço muito
de ti...

as pedras não eram lisas
mas eu nunca as vi...

estou a caminho de nada,
de parte alguma...

eu queria ver com os teus olhos
o meu caminho...
eu só queria andar
no mesmo passeio que tu, na mesma rua,
seguir a tua sombra,
mas não sei onde fui parar...

eu não mereço muito
de ti...

Mário M.Carvalho ( gotas de amor)

A TARDE CAÍU NO MAR...

A tarde caíu no mar
atrás veio uma estrela,
entre vagas perdidas
uma ilha nasceu...

a tarde caíu no mar
atrás veio o teu olhar,
a ilha esquecida
que nos encontrou....

a tarde caíu no mar
atrás veio um barco despido,
o teu corpo navegou
pelo meu....

a tarde caíu no mar
atrás veio uma nuvem,
a nossa sombra
entrelaçada que respirou....

a tarde caíu no mar
como uma pérola
nas tuas mãos...

Mário M.Carvalho ( gotas de amor)

lee ritenour - rio funk

NÃO SABEM...

Basta de resultados inertes
de pesquisas e estudos de ocasião
com tanta complexidade
inventada como justificação,
qual serpente do apocalipse...

o que sabem os sábios
a mais que os que o não são,
sabem falar
ou pretendem iludir
os que não conhecem
as palavras
dos que os andam a enganar...

ciência perdida
é o que se anuncia
entre a razão invertida,
globalizada
e atropelada...

Mário M.Carvalho

Heaven Can Wait - Meatloaf

quarta-feira, 5 de maio de 2010

INCERTEZA...

Permanente
desengano e sobressalto
nas horas longas...

duvidamos de tudo
ou desconfiamos de nós
em momentos desisivos
e perdemos a clareza...

estará no sangue
ou na alma em chama
a nossa afirmação
neste desafio
em súbito desespero...

somos a nossa incerteza...

Mário M.Carvalho

MUDANÇA

Nessa tarde de Maio
eram horas de passear
ler o jornal
tomar um café...
passa por mim
um mendigo
que estende a mão
levo a mão ao bolso
e dou-lhe uma moeda...
fiquei triste
com as minhas necessidades
eu não preciso
de nada
e há quem precise de tudo...
afinal os meus problemas
são apenas tentar conseguir
algo que não me faz falta...
fico sempre triste
com as diferenças sociais
já era tempo
de não existirem...
será que já fizemos
alguma coisa para mudar...
é isso
temos de mudar
e pensar que as nossas
necessidades
devem ser, apenas
satisfazer quem nada tem...

Mário M.Carvalho (humanamente social)
(todos devemos ser a mudança que
desejamos ver no mundo.Mahatma Gandhi)

terça-feira, 4 de maio de 2010

A TUA ALVURA...

Há algumas nuvens que passam
e escondem a sua anágua branca
entre olhares negros desbaratados
que nos estremecem e nos rasgam...
e sobre a água cinzenta
vai crescendo a tua alvura
que trespassa a desilusão lenta
num desassossego escorreito...
lavram-se campos de ternura
na imensidade do teu leito
onde brilham as plêiades
do nosso sete-estrelo...
ai quanta desventura amargurada
nesse olhar entediado,
solta a fúria desalmada
e alcança toda a tua lonjura...

o teu refulgir é alvorada...

Mário M. Carvalho ( Humanamente interior)

PEDAÇOS DE PAPEL

É sentado onde estou
à minha procura
que descubro o que perdi...
pensava que tinha visto
tudo o que se poderia imaginar
afinal, nada era real...
quando tudo começou a ruír
à minha volta
lá estava eu
sem saber o que fazer....
a escutar os sons do passado
e a viver as imagens do presente...
devo ter acordado agora
e o filme completo da minha vida
passou ao meu lado....
uma vida deitada no lixo
embrulhada num papel...
e eu onde fiquei ?
o que sobrou de mim ?
apenas
os pedaços
desse papel que foi rasgado...

Mário M. Carvalho ( humanamente interior)

HORAS MORTAS

Pela casa vagueio
em horas mortas
gosto de sentir o silêncio
de aproveitar o escuro
da noite
e ler os meus pensamentos...
fico sempre triste
nesse deserto só meu,
horas perdidas de sono
e esse incómodo
de não conseguir perceber
os passos que dou...
sempre muito confuso
e preocupado
cada vez sinto mais
que tudo se dissipa
na minha vida...
resta-me ir dormir
e pensar que no dia seguinte
quando acordar
vou sentir outra vez
vontade de lutar....

Mário M. Carvalho (humanamente interior)
O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo. (Nietzsche)

sábado, 1 de maio de 2010

NATUREZA..

Pelo caminho em que seguimos
na longa viagem que atravessamos
percorre-se o tempo que nem sempre se prepara...

ao longe veêm-se as aves que passam
num voo que as leva para longe destas paisagens
atravessando continentes e oceanos
para passarem o inverno noutras paragens,
mais amenas e quentes do que estas serranias agrestes...
mas logo voltam com o despontar da primavera
para nos deliciar com os seus cantos e as suas crias
nos ninhos que decoram as cidades e as florestas...

quantos anos precisamos para conhecermos melhor,
para visitarmos todos os ninhos que nos encantam,
todas as montanhas que nunca percorreremos...

seremos capazes de ter alguma humildade
e colaborar na procura deste equilibrio....
quantos passos teremos coragem de percorrer
para ajudar estas espécies que nos preenchem,
ou viveremos sem as compreender....

basta-nos ter algum sentimento
não perder o que nos foi doado
e honrar o nosso momento....

Mário M.Carvalho ( eco chamada)













sexta-feira, 30 de abril de 2010

BEIRA-MAR

Ao fundo dessa avenida
percorremos a praia
sentimos o perfume
desse mar que conhecemos
e cruzámos
vezes sem conta,
em busca de tudo,
por terras desconhecidas...

agora temos visitantes,
que se atropelam
à procura do seu local
para se deleitar
com o calor
entre os reflexos de sol
dessas ondas salgadas
que banham
os corpos soltos
a descansar neste areal...

liberta-se alguma alegria
nem que seja por uma noite,
nos santos populares,
depois de um ano sofrido
com trabalho
entre dias mais abertos
e horas mais dificeis...

é daqui que partem
bravos guerreiros
que mar adentro enfrentam
essa luta
numa pesca que não sorri
e que por vezes os deixa
para trás,
sem mais voltar,
nessa dor de um pobre povo
que nasceu para o mar...

Mário M.Carvalho ( humanamente social)

quarta-feira, 28 de abril de 2010

SEM SABER...

Como essa folha de papel
que voa ao sabor do vento
ou como essa pétala branca
que salta no teu jardim
a vida é só um momento...

é apenas um instante
tão pequeno e inseguro
que nem sabemos ao certo
para que serve o tempo
que tivemos e perdemos...

pouco fizemos pela Paz
e muito do que vivemos
alguém saberá contar
o que todos esquecemos

crianças a morrer de fome
mulheres que são destroçadas
o que se passa entre nós ?
p'ra termos que suportar
este enorme pesadelo
que ninguém consegue parar...

Mário M.Carvalho ( humanamente social)

terça-feira, 27 de abril de 2010

PERDIDOS

Nunca existe um dia
no tempo que já não temos
ou fingimos que não existe...

corremos sem direcção
vamos e vimos
somos a nossa lida
nesta rotina desenfreada
parece que não temos vida
nem temos nada...

andamos à nossa procura
ou já nem sabemos
se ainda resta algum sentido
ou se alguém
vem ao nosso encontro...

será que sabemos
ou pouco importa
se estamos presentes...

não estamos em lado nenhum
ficámos sós
fomos e viemos
por todos os caminhos
e já nos perdemos de nós...

Mário M.Carvalho ( humanamente interior)

segunda-feira, 26 de abril de 2010

LIBERTAR

Em busca de palavras soltas
largam-se as amarras
por um oceano
de mistérios escondidos
que nos fazem navegar
em profundezas desconhecidas
por todo o universo
dos nossos sentidos...

porque nos limitam
se podemos ter essa ilusão
porque nos condicionam
com uma educação fútil
que nos prende a respiração
p'ra termos uma vida inútil...

soltem o sonho
entre o desejo e a fantasia
abraçem todas as flores
sintam a vossa magia...

Mário M.Carvalho ( humanamente interior)

domingo, 25 de abril de 2010

RECORDAR

Entre paisagens recortadas
de serras e florestas
com castanhos amenos
e doces verdes
perdidas num chilrear constante
embalamos as horas
em que sonhamos...
respiramos a frescura da vida
num orvalho frio
que desperta nos raios de sol
nessa brisa de neve
que pinta de branco
o horizonte mais alto
dessas montanhas
e percorremos o vale
onde sabíamos ser crianças...
não te devíamos ter deixado,
nunca seremos melhores
por isso...
mas voltámos ao teu olhar
para podermos sentir
que ainda sabemos recordar...

Mário M.Carvalho ( Humanamente interior)

terça-feira, 20 de abril de 2010

O SONHO DA VIDA

Num verão passado
de vinte e seis
a nove de Agosto
nascia a menina
alma de mãe
coração de sonho
num sonho da vida
que passa a sorrir.

O amor que sente
a todos faz bem
está sempre presente
na esperança de alguém

A nossa mãe
é o nosso colo
sofre por todos,
tem-nos a nós...
sabemos amar
porque nos ensinou
aprendemos a rir
porque não chorou.

É o melhor que temos
porque é nossa mãe
é tudo o queremos
na vida sentir
e agora aos oitenta
também é avó
o amor aumenta
é mãe e avó !

É ela que embala
a vida que canta
a família sonha
o sonho que é seu
e guarda consigo
o sonho que nos deu.

Mário M. Carvalho - 9.08.2006 - À minha querida mãe no dia em que fez 80 anos (gota de amor)

segunda-feira, 19 de abril de 2010

O MEU RIO

Entre as margens da vida
e da saudade
passou o meu rio
lentamente
na planície
que já não sinto
há tanto tempo...
agora atravessa
rápidos ferozes
entre rochas e gargantas
que me afogam
e devoram...
preciso dessa planície
nem que seja
por um instante
p'ra me despedir
ou nascer outra vez

Mário M. Carvalho (humanamente interior)
Sejamos como os rios, que renovam constantemente suas águas. (Carlos Bernardo González Pecotche)

DEMOCRACIA

À procura da igualdade
no desespero de incorrecções
musculo de audases pioneiros
em busca do perfil visionário
quantas vezes , o carrasco da felicidade
para sobrevivência de loucos
quantas vezes, sem mentira
o orgulho da liberdade !

quantas mais gerações desperdiçadas
entre a mesquinhez da demagogia...

quantos homens continuam sem livros?
quanto suor foi em vão?

o vento nunca parou
a luta não acabou !

Mário M. Carvalho ( Incertezas)

sábado, 17 de abril de 2010

NOVA OPRESSÃO

Cérebros esmagados
correntes fortes de insignificância
na aparência de pálidos reflexos
que se misturam com a rudeza
ou com a madrugada apodrecida

mas eles não temem
e só quem quer permanece
calma e serenamente
entre as florestas queimadas
de tão sarcástico destino

Mário M. Carvalho - 2008 ( Incertezas)

UMA MENINA

Foi há muito tempo
que uma menina
chorou...

tinha um gesto insistente
de braços cruzados
e mãos puras

vinham as férias e seguia
pela velha estrada
solitária
na bica da fonte a mesma água fresca
enchia um jarro com ternura

os rebanhos pela encosta do monte
já pastavam ao som das nuvens e das silveiras

por pouco, a menina rolava para a água
nesse rio montanhoso
e desaparecia na corrente
numa espuma de recordações
que ela não sabe

de repente, as pernas ficam bonitas,
os braços passam a estar abraçados
e as mãos cada vez mais soltas
com unhas engraxadas

passam-se momentos rápidos
curtos encontros
a vida começa a sentir-se
numa rua agitada
onde só respiramos fumos
ouvem-se sons desconhecidos
um suspiro ofegante

a menina veste-se finalmente de mulher

Mário M. Carvalho - 1984 ( Humanamente social)

O MEU PAI

Grande como Homem
forte como ninguém
porque partiste ?

não tiveste tempo de ser menino !
cresceste sozinho
a trabalhar,
a estudar e a lutar...

como adorava
o som do teu banjo...

deixaste esta saudade
este sofrimento
quem te levou ?

O sonho que nos trouxeste
o amor que sempre deste
foste a força e a coragem
deixaste um vazio profundo

Mário M. Carvalho - 10.02.20o9-(gota de amor)

QUEM SERIA

Nasci no país que não devia
num tempo que não queria
na famíla que amaria

Sorria a quem não merecia
sonhava com nostalgia
o destino não sorria
e eu não partia...

por dentro a chama ardia
nascia para mim a poesia
até que senti alegria
num sorriso que não temia

A mulher com que sonhei
as filhas que sempre amei

Mário M. Carvalho - 20.02.2007 ( gota de amor)

sexta-feira, 16 de abril de 2010

POR ÁFRICA...

Johannesburg
é magnífica de noite
vista de longe...
por dentro
é de ouro banto...
Sudwala
estalactites e estalagmites
pré-história
de leões às riscas,
um jardim...
tão perto o kruger
vou por Phalaborwa
a dimensão da savana
no sangue de um europeu...
aqui estás tu
crocodilo do letaba...
ali é Moçambique !
Porque me olhas assim kudu ?
agora é tarde,
quero ver essas pastagens,
esses sonhos escondidos
nos saltos dos macacos,
na alma de um povo
que chora ...

Mário M. Carvalho - Johannesburg - 18.09.85 ( socialmente historico)

ÁFRICA

Estranho perfume
que não se cansa
em aveludada frescura
nesse rosto negro

A primeira vez
sensação única
em solo tropical
passar o equador...

África quente !
enche o teu sol
de liberdade

Mário M. Carvalho - 31.08.85 - Nairobi ( socialmente historico)

CABO

Horizonte
em verde e azul
nos dois oceanos de conquista
nesse cabo de boa esperança
nessa baía quente
e serra dos doze apóstolos

Foram Portugueses
que te aprenderam
foram todos que te quiseram

Quem prova o teu shiraz
constantia ?
não serão por certo
os desesperados de Crossroad

Mário M. Carvalho - Cidade do Cabo - 23.09.85 ( socialmente historico))

MURO

Parede sombria
blocos erguidos no desespero...

muro da vergonha humana !

provação ríspida
de cansaços desperdiçados

aproximação ofegante
de sorrisos atropelados...

e que os arrasta
para longe...

sem luz !

Mário M. Carvalho - 1985 ( socialmente histórico)

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim

Covilhã

Covilhã

Coimbra

Coimbra