BEM-VINDOS E ESPERO QUE PASSEM UM MOMENTO DE PRAZER

O luar desconhecido que nos fascina e descobre na penumbra











Nem sempre há luar onde o homem nasce







MENSAGENS


MENSAGENS

Obrigado, Mário.. É uma honra e um prazer ler o quão bem escreve.

Um abraço

Pedro Abrunhosa





domingo, 9 de outubro de 2011

NA NOITE ESCURA...

Como passa o tempo
na noite escura...

sente-se o vento
no planalto...

a folhagem das árvores
agita-se ...

lento o oceano
encosta-se
e adormece...

só as ruas ficam desertas
para deixar passar
a noite escura...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

ESTAR AQUI...

um lugar que possivelmente
não me esperava...

sentado na única cadeira
e na única mesa que me recebem...

as minha mãos contornam livros
apenas por que existe o tempo
de estar aqui...

o meu olhar preocupa-me
pelo que sinto
longe daqui...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

FOR ME...

Alone and drifting off
with a cup of coffee...

In my room
all is sadness
I´m yelling hoarsely...

the words call for :
"to hear through the lilt of silence"

far away the cliff
and eating a cake
tonight

after running this morning
I´m healthy
everything will be all right

that´s the way it´s gonna be
while the door is open...

for me...

Mário M.Carvalho

sábado, 1 de outubro de 2011

WE WONT BE THERE...

Life is as slices of bread
some of them
are burned...

the world shrinks...

you can be accused
of a makeshift approach
towards life...

fifty years later
long enough to feel
a garble of senses...

bitter water
through open wounds
to settle as soon as possible...

life has no menu "à la carte" for everybody
only money can have...

when the man take hold
all this has been deleted
from the future..

we wont be there...

Mário M.Carvalho
1.10.2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

WHAT´S THE ROLE I PLAY ?

I´m not stripped of memories
or blossom in the dark...

I´m empty hanging
without wings...

what´s the role I play ?
otherworldly,
I have muddled it all...

I grab a rope and it breaks
my mud-stranded resignation
through the pelting gauntlet...

my arms are weak
and the tide impossibly distant...

some days I fear
never dream again...

Mário M. Carvalho
30.09.2011 - Dudley

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

I´M ALLWOED

Crossing the hillside
of life
there are no stepping-stones
outside

the thistles
tear our hands...

political sticker
words laid down
overwhelm...

how much cost your hapiness ?
fifty "pi" ? doesn´t it ?

you ought drink a can
or a pint
the words are to twist
at any time...

I´m allowed,
that´s me...

Mário M.Carvalho
29.09.2011 - Dudley

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

WET PAINT

Where are we ?

Inside a box
labeled
"Rusty Brains"...

silence now...

who´s going outgrow it ?

where is the uproar´s for freedom ?

old claims :
fairness,
work
and clear paths...

new brains
" Wet Paint "

Mário M.Carvalho
24.09.2011 London

PASSION OR FANTASY ?

Hazy morning
the wind swing...

a sunk look
and a panting breath...

passion
or fantasy ?

nothing changes or glows
in the way...

the wind spills
a future
or a spoiled life...

does it promised anything ?
dreams
and imagination...

fantasy
or passion ?

Mário M.Carvalho
23.09.2011 London

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

BEYOND THE END...

Quickly
the heartbeat
a message falling
exhausted...

every light
every day
dims...

to pretend
covering the ears
mind the silence...

beyond the end...

Mário M.Carvalho
22.09.2011 London

THE SHADOW OF A KNIFE...

A shadow
in my head
as hidden grove
in the sky
I must get it !

I never prayed
and I never burned letters
none of this !
my friends
are my cigarrettes
every night...

I never chase
my thoughts
they go way up high
as shadow of a knife...

Mário M.Carvalho
21.09.2011 London

VIRTUAL SLAVERY...

Suspicion
day by day
working,
virtual slavery...

how are you doing ?
I´m cramped
unwilling to speak
my face is set off
alleged...

Mário M. Carvalho
15.09.2011 London

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

POEMA QUE NÃO SE CALA...

O poema que não se cala
a dor que se prolonga
na distância que nos marca...

há poemas que não se calam
numa absurda presença
como os dias que passam
com muitas horas...

ninguém cala um poema
com o ar fresco
que entra pela janela
nem o som
dos aviões
e das buzinas...

nunca se cala um poema
que não se vê daqui
o meu mar e a minha gente
o cheiro de quem amo...

mas nada entra pela minha janela
nem pelo meu poema
apenas a minha angústia
de estar só...

Mário M.Carvalho
Londres 17.09.2011

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

UNDER THE PEOPLE

Pessoas
que se estreitam
encolhem-se ombros
sorry !

victoria street
chovem pessoas
e água 
entre olhares dispersos...

procurei ver passos
conhecidos...

os caminhos dividem-se
entre ruas

formatados
perseguem destinos...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 7 de julho de 2011

ABRE-SE O MAR...

sobrevoei-te por dentro
estavas descalça
e limpavas as lágrimas
nas mãos vazias...

o céu não tem correntes
que te prendam
abre-se o mar no horizonte
e tu partias...

quebra-se a teia
que te enlaça...

Mário M.Carvalho

domingo, 26 de junho de 2011

OUTRAS PALAVRAS...

lembrei-me de ti
trouxe um pouco
de sumo do teu cheiro...

vou passar
muitas horas
aqui...

levo
outras palavras
para te oferecer...

Mario M.Carvalho

terça-feira, 21 de junho de 2011

AS PORTAS JÁ NÃO SE ABREM

Há uma porta no teu olhar
que eu nao abri
e um infinito
que nao vi...

Lidador, diz a voz feminina
do gps do Metro
abrem-se as portas
semi-automáticas...

ficou ali um gato
num telhado castanho
a ver partir a dona...

as mulheres não trazem olhos
vêm com óculos de sol,
escondem-se
olhares comprometidos,
as portas já nao se abrem...

Mario M.Carvalho

terça-feira, 31 de maio de 2011

UM DESEJO...

Ainda tenho uma viagem
que não pedi
mas que será sempre minha
não na hora
que mais me custar
como aos outros
mas não hora
que eu a desejar....

Mário M.Carvalho

sábado, 28 de maio de 2011

SER ESPECIAL É...


Ser especial é saber amar
Ser especial é saber sentir
Ser especial é não ignorar
Ser especial é Ser humano
Ser especial é saber ajudar
Ser especial é aprender a sorrir
Ser especial é saber partilhar
Ser especial é não desistir

Ser especial é a diferença de ser igual...

Mário M.Carvalho

Enquadrado no apoio à deficiência em Portugal

sexta-feira, 27 de maio de 2011

SE TE ENCONTREI...

Não sei em que parte fiquei
só existe a tua ausência
acaso estejas
no mesmo lugar
fico,
se te encontrei...

ainda tenho folhas soltas
onde cabem  palavras
que não dissemos...

não se perde um amor
escondido no tempo
nem se sente o fim
além da dor...

Mário M. Carvalho

domingo, 24 de abril de 2011

E VIERAM...

Abre-se a flor
do girassol

precipita-se
o calor...

espreitam
as árvores
sobre as águas...

e vieram todas
as cores
sobre o dia...

esfarrapadas
e sangradas
sobre o Homem...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 22 de abril de 2011

DESFIGURADOS...

No meu descuido
vejo-te passar
já me desfaço...

fugiste de não te ver
subverte-me o vento
entre a paixão...

quero alongar
o que te escrevo
sobrei apenas eu
desesperado...

não houve intenção
e veio a chuva
que corria dos teus olhos...

desfigurados
percorremos
a primavera...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 8 de abril de 2011

ASSIM MESMO...

Assim mesmo
que ficar de noite
posso descer
além dos teus braços
despir-me
no teu peito...

assim mesmo
abraço as tuas pernas
deito
o teu corpo...

extasiada
absorves
prazer...

assim mesmo
quero
tudo
de ti...

quando
te estou
a comer...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 23 de março de 2011

INACABADO...

Semivivo
onde escapam
vozes
que se confundem
nas margens impessoais
resta o que vejo
fugir em sombras
cristais inacabados
à procura de sendas
desertas
lâminas de fogo
reflexos e lendas...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 16 de março de 2011

HÁ PALAVRAS...

A resposta
abandonada
mergulha
num aquário
onde passam
olhares interrogados...

ouvem-se franjas
distorcidas...

há palavras
que foram
rasgadas...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 11 de março de 2011

QUANDO...

Quando
o tudo
e o nada
pode passar...

ou se vê
o horizonte
descobrir
praias perdidas
corpos
de suor doce...

na vertigem
que nos devolve...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 10 de março de 2011

A CHEIRAR A VIDA...

Detesto poemas
adormecidos...

prefiro
os que têm
homens e mulheres
lá dentro
com sangue
corpos que se cruzam
com a natureza
e o universo...

a cheirar a vida...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 8 de março de 2011

UM PÁSSARO DANÇA...

Um pássaro
dança
na tua mão...

o luar
não se cansa...

atravessou
o teu corpo
despido
salpicado
de todas
as cores
em laudas
desfolhado...

onde me guarda
inteiro ...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 4 de março de 2011

NA PORTA DO TEMPO...

O teu colar
voou
na relva fresca...

corremos
à chuva...

fomos
por dentro
onde estavam
versos...

secaram
presos
na porta
do tempo...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 2 de março de 2011

NO CAMPO...

Passando o casario
corremos pelo prado
ouve-se fresca
a água doce
que foge no rio...

entre o arvoredo
de altos pinheiros
recorta-se o granito
escarpado
em diferentes cheiros
e violetas...

preciso do tempo
que esquece
as alvoradas
e trindades
na raíz
que permanece....

Mário M.Carvalho

ATRÁS DO VENTO...

Atrás do vento
num poente
esvoaçado
desaparece
o fogo
lento...

descascado
o corpo
celeste
nasce
em sombras
luarentas...

procura
os nossos
gestos...

Mário M.Carvalho

[Som Brasil Ary Barroso] Casuarina - Camisa Amarela

Camisa Amarela - Ary Barroso Composição: Ary Barroso

Encontrei o meu pedaço na avenida

De camisa amarela

Cantando a Florisbela, a Florisbela

Convidei-o a voltar pra casa

Em minha companhia

Exibiu-me um sorriso de ironia

E desapareceu no turbilhão da galeria

Não estava nada bom

O meu pedaço na verdade

Estava bem mamado

Bem chumbado, atravessado

Foi por aí cambaleando

Se acabando num cordão

Com um reco-reco na mão

Mais tarde encontrei

Num café zurrapa

Do Largo da Lapa

Folião de raça

bebendo o quinto copo de cachaça

Isso não é chalaça

Voltou às sete horas da manhã

Mas só da quarta-feira

Cantando A Jardineira, oi, A Jardineira

Me pediu ainda zonzo

Um copo d'água com bicarbonato

O meu pedaço estava ruim de fato

Pois caiu na cama

E não tirou nem o sapato

roncou uma semana

Acordou mal humorado

Quis brigar comigo

Que perigo, mas não ligo!

O meu pedaço me fascina

Me domina, ele é o tal

Por isso não leve a mal

Pegou a camisa, a camisa amarela

E botou fogo nela

Gosto dele assim

Passou a brincadeira

E ele é pra mim

O meu Sinhô do Bonfim

domingo, 27 de fevereiro de 2011

NOS DEGRAUS DO PRÉDIO...

O final de dia
a ouvir música
ler um livro...

ouve-se Maná
o encanto latino
uma recarga...

talvez se leia Agualusa
delicioso, directamente
de Angola...

encostado no sofá
do lado de fora
a devorar-me
a noite...

também dormem
nos degraus
do prédio...

Mário M.Carvalho

QUANTOS ANOS TENHO...

Ao mesmo tempo
que leio as horas
em perspectiva
escrevo
a voz da cidade
com uma caligrafia
que treme...

atrás de mim
imagino pássaros
que giram
em volta do sol
como insectos
que dançam
nas lâmpadas
do quintal...

árvores com neve
em todas as janelas
e um café
servido à lareira...

sem saber ao certo
quantos anos
tenho...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PORTO...

Nos meus pés
passam as tuas ruas
ainda vejo casas
e um esqueleto
de granito e tijolos
emparedados....

és um cemitério
de história
em cada rua
ficaram de pé
à espera
de uma sepultura
algemados...

carcaças
de vidro...

pedaços de morte
presente...

indiferente...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

UM DIA...

Hei-de voltar
repetido
no destino
desenganado
e sustido...

no patamar
ficou
o meu rascunho
que te deixei
delido...

pintei
a única estrela
que não se via...

esgotei
os meus olhos...

um dia...

Mário M.Carvalho

sábado, 19 de fevereiro de 2011

MARÉ SUBMERSA...

Corre o mar
nas minhas veias
areais escondidos
nas falésias...

águas a rastejar
carícias nuas
de espumas frágeis
nas conchas vazias....

mítico lamento do dia
em turquesa
dourado
que foge
lívido...

corais de prata
o luar do desejo
ancorado
nas algas e medusas
a maré
submersa...

nas minhas veias...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

SEREI EM TI...

Serei em ti
a seda
que voa no teu sorriso...

beijo do nosso abraço
permanente...

um sinal
aberto em pleno espaço..

a chama insaciável
que flutua
transparente...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SABOR A FRIO...

As frases que me fugiram
entre sonhos devorados
os silêncios que se ouviram
em negros e tristes fados...

ouvi um verso parar
na memória que ficou
era alguém que veio amar
um pássaro levantou...

na escarpa de algum moinho
de nuvens altas e pastos
onde o vento vem sozinho...

longe, ainda, canta o rio
a tropeçar nos socalcos
soubesse eu sabor a frio...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

SEM FADIGA...

Sem fadiga
no acaso
inquieta na retina
uma dormente
vertigem
que se elide
no meu desmaio
[vibra] sem dor...

inútil
a minha lucidez
na gruta das sombras
escureceram
medos...

derrete-se a cor
na luz da névoa
celeste..

ainda vejo
um raio
que foge das trevas
[terrestre]...

quero segui-lo
com os meus dedos...

Mário M.Carvalho

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NA MÁSCARA DA CIDADE...

As palavras diluídas
na madrugada...

na máscara da cidade
desencontrada...

esquinas sem luz
forradas de azulejo
nas noites
acordadas...

vibrações exaustas
nos fantasmas crús
metamorfoses de led
irradiadas...

brilham corpos
de água
lado a lado
nas gotas
suadas...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

NA CINZA DOS SEGREDOS...

Ela esqueceu-se
do ouvido dele
na almofada....

ela sonhava
indiferente,
nem amor
vegetal...

incandescente,
ele procurava
amor
carnal...

os lábios abolidos
talvez beijassem
os silêncios despidos
na cinza dos segredos...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

UMA VAGA NO ABISMO...

Ouvia no tempo
lábios que murmuram
nas dunas
ausências no vento
e espumas...

manchas de olhares
que sangram mar...

braços de espinhos
a rasgar a bruma
afadigados
[desesperavam]...

uma vaga no abismo
e lá ficavam [amados]...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

MAIS ALÉM...

Não me chorem
dores e lamentos...

a minha felicidade
transborda
a minha margem...

por momentos...

basta um olhar
padecente imagem
à porta de alguém
e caio inserto
mais além...

disperso
porém...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

NO DESTINO DO MAR...

No destino do mar
o barco vagueava
como criança perdida
espreitava...

rumos cegos
equívocos
na maré do luar...

desfazem-se ao longe
nas ondas
e nas sombras...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

VOO ARDENTE...

Na boca a vontade de um beijo
um corpo crescente...

despe-se uma rosa
uma mão inocente
na sombra do desejo
o olhar sôfrego
dos seios brancos

um suspiro lento
no voo ardente
desenhado no vento...

Mário M.Carvalho

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

AS PALAVRAS...

Esperei aqui
a voz da palavra
dentro de mim...

sim, aqui...

vieram letras
que se juntaram
não, não são palavras...

cresce um fogo
e as letras estremecem
fortes
únicas...rompem
sílabas em compasso
dançam
atravessam poentes
gritam...sofrem
em vertigens de prazer...

as palavras...

Mário M.Carvalho

sábado, 29 de janeiro de 2011

ABSORVIDO...

Absorvido
a contemplar um verde
de primaveras
sobre o tempo liso
que foge em alvoradas...

navio solitário
na natureza ao meu lado
de mãos dadas com a luz
num lampejo recortado...

abre um caminho
num lago entre montanhas
na chuva incerta
em voos de inocência...

o lugar onde respiro
a porta secreta
ou a minha ausência...

Mário M.Carvalho

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

UM GRITO ENTRE OS DENTES...

Já não há frutos
nos espaços da terra
entre fontes secretas
e pedaços de pedra

aperta-se
um grito
entre os dentes...

propagam silêncios
as vozes choram
no destino vazio...

confundidos
na mágoa
ainda há revolta...

ouve-se no lodo
um grito
entre os dentes...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

JÁ NÃO SEI...

Sei,
onde tenho raiva
caído entre sementes
que secaram
e se desfazem
em cinza...

Sei,
das noites, todas as noites
quando o olhar baloiça
rasgado...

Sei,
a morte é carvão
poeira da noite
azeda...

...ah!... eu já não sei...

Mário M. Carvalho

domingo, 23 de janeiro de 2011

NA PALMA DE UM BEIJO...

Prometia um canto...estrelas
nebulosa em verso
escondido
que nos descobre as asas....

sobe devagar
em voos de fumo
amor ao vento
de breves manhãs
que nos vem chamar...

palavras de aromas...desejo
flores à beira de um rio
na alma solta
em raízes lavradas
na palma de um beijo...

Mário M.Carvalho

sábado, 22 de janeiro de 2011

A FERMOSURA DESTA FRESCA SERRA

Luís de Camões : A fermosura desta fresca serra
em 16/05/2007 18:30:00 (3076 leituras)
Luís de Camões
fermosura desta fresca serra
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;


o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do Sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;


enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos ofrece,
me está, se não te vejo, magoando.


Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando,
nas mores alegrias, mor tristeza.


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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PODEM LEVAR-ME ASSIM...

Andaram perto
de me tocar ...estava vazio
transpirei no meu laço
para ver o que faziam
atirei-me de espaço em espaço
entre palavras
algumas letras corriam
fugia...

chegaram
para me sacudir
depois de tanto rosto
ainda via...

depois de tanto texto
que estava ausente
ainda permaneciam
de cara erguida
para ver
o que perdia....

assim fica o que ficou
nem mais palavra
nem ponto
estava tudo escrito
em verso e reverso
acabou
como eu queria...

podem levar-me assim...

Mário M.Carvalho

O MEU GRITO... ( Livro dos vivos IV)

Eu apareci
vinha na barca do dia
saí do meu ovo
tinha asas, muitas asas...

voei para a montanha
sentei-me
alimentei-me...

tinha o poder
preso à minha cabeça
sobre mim
vim à minha existência...

desaterrei o meu caminho
construí a minha morada
ganhei as minhas forças
nos sopros do meu corpo...

sou eu
vi onde me encontrava
fui até às minhas extremidades
passei a pradaria pantanosa
a minha alma
saiu para todos os lugares...

libertei-me
atrás das estrelas infatigáveis
o meu rosto é alguém
subi todas as direcções
produzi as minhas sementes...

expulsei a minha saliva
os meus pensamentos
estavam presos no meu corpo
eu sou a minha memória...

suprimi as minhas trevas
iluminei-me
eu sou alguém que conhece
o meu nome...

coloquei-me sobre a colina
eu sou aquele
que pode sair à luz do dia
que se opõe aos senhores
às injustiças, às fomes, às guerras
à falsa política
à economia fraudulenta
à corrupção
eu vim à existência
para ser eu próprio...

a minha luz é eternidade
o meu corpo é perenidade...

criei o meu ninho no lugar dos vivos
ninguém destruirá os meus ovos...

Mário M.Carvalho


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

A ESTRELA DA LÃ

Que força humana !
entre máquinas e fardos
em velos que desbordaram
lã que pentearam,
fio que vão tecendo
e, algumas vezes, tingem
com o próprio sangue

Que força humana !
rasgou a neve
alimentou ovelhas,
vestiu a dúvida
com lágrimas de coragem

Apenas brilhou a estrela !
que lhes deu luz
e lhes deu serra

mas eles não param !
nem o tempo
que os esqueceu...

Mário M.Carvalho - Covilhã -1987 ( socialmente histórico)

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ONDE FICÁMOS...

O teu olhar escreve
o doce nas palavras
que os teus lábios
desenham...

no teu sorriso
emanam perfumes
de todos os néctares
que te escorrem da alma...

em voos delirantes
solta-se a esperança
do teu corpo...

ainda brilham
poemas
que sentimos...

o mesmo encanto
das aves
que passam...

onde ficámos...

Mário M.Carvalho

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

UM MENINO POBRE

Nasceu um menino
numa terra sem fim

filho do pôr-do-sol
era fresco como a terra escura e húmida
coberta de flores...
uma pétala azul

as manhãs passavam
no meio daquela chuva míuda
por ali brincava, corria
sempre descalço
na lama
não sabia que tinha de ir à escola
a fome vestia-o de frio

o menino não sabia que crescia
e que os seus braços
se transformavam em asas
e poderia voar

e aquela menina
que brincava com ele
e lhe dizia que ele havia de ser grande
fê-lo sentir-se alguém

o futuro era desconhecido
mas a esperança
só tinha um sentido
lutar pela mudança

Mário M.Carvalho - 1990 ( humanamente social)

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

POVO CANSADO...

não nasci
para ter de viver
como até aqui
onde não há comer
isto não anda
a roda não gira
porque o povo não manda

diziam que eramos nós
que não sabiamos
trabalhar
mas eles é que não sabem
mandar
e enchem todos os bolsos
andam todos a roubar
e só nos deixam os caroços

está na hora de saírem
o povo já não os quer lá
veio tudo para a rua
não voltem mais para cá
o povo quer estar na sua
quer trabalho
e ter ordenado
não quer mais este baralho
o povo já está cansado...

Mário M.Carvalho

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

FLOR DO TEU CAMPO...

Foi nessa planície
verde e transparente
que um pastor
me ensinou a cantar
com as carricinhas
entre as papoilas...

como adoro o teu canto
e fomos ver o teu ninho...
passam abelhas
e borboletas
de todas as cores,
quanto perfume
emana nesse calor
derretido....

eu vivi no teu campo
carricinha,
entre narcisos
e rosmaninhos
com joaninhas...

foi aí que a conheci
perto de ti carricinha...

era uma flor que eu colhi
com mil cuidados...
ainda é a mesma flor
e sabe ao mesmo perfume...

só as tuas flores
são sempre iguais
como o teu canto...

eu quero sentir a mesma flor
e ouvir o teu canto
eu só quero esse amor...

Mário M.Carvalho

PÉTALAS DE SOL...

Tenho um barco
dentro de mim
com pétalas de sol
que ficaram
presas no meu olhar...

pétalas de sol
esfumadas
nas pupilas feridas...sem ar

a compasso
mordo o pão...

espero
o barco do meu corpo
preso ao chão...

uma ponte
corta o rio...

flutua no meu olhar...

Mário M.Carvalho

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ONDE SOMOS NUS...

Ouvir suave o teu corpo
brancas rosas
entre as nossas mãos
no espaço das palavras...

onde somos nus
devagar...

gestos de pele
e suor quente
tecem a sede...

arquejam reflexos
entre os astros
serenos...

declaramos nos olhos
o silêncio
prometido...amanhecemos

onde somos nus...

Mário M.Carvalho

domingo, 2 de janeiro de 2011

NO MEU FUNDO...

Senti as pernas presas
uma fundura
de ossos mastigados
em cicatrizes abertas...

fontes abandonadas
com a minha água
secou neste fogo
que me arde as pernas...

raízes arrancadas
com navalhas...

queria soltar as mãos
ardentes...transparentes...

e todos os espinhos
que ficaram...imundos

cravados no meu fundo...

Mário M.Carvalho

Póvoa de Varzim

Póvoa de Varzim

Covilhã

Covilhã

Coimbra

Coimbra