Permanente
desengano e sobressalto
nas horas longas...
duvidamos de tudo
ou desconfiamos de nós
em momentos desisivos
e perdemos a clareza...
estará no sangue
ou na alma em chama
a nossa afirmação
neste desafio
em súbito desespero...
somos a nossa incerteza...
Mário M.Carvalho
BEM-VINDOS E ESPERO QUE PASSEM UM MOMENTO DE PRAZER
O luar desconhecido que nos fascina e descobre na penumbra
Nem sempre há luar onde o homem nasce
MENSAGENS
MENSAGENSObrigado, Mário.. É uma honra e um prazer ler o quão bem escreve.
Um abraço
Pedro Abrunhosa
quarta-feira, 5 de maio de 2010
MUDANÇA
Nessa tarde de Maio
eram horas de passear
ler o jornal
tomar um café...
passa por mim
um mendigo
que estende a mão
levo a mão ao bolso
e dou-lhe uma moeda...
fiquei triste
com as minhas necessidades
eu não preciso
de nada
e há quem precise de tudo...
afinal os meus problemas
são apenas tentar conseguir
algo que não me faz falta...
fico sempre triste
com as diferenças sociais
já era tempo
de não existirem...
será que já fizemos
alguma coisa para mudar...
é isso
temos de mudar
e pensar que as nossas
necessidades
devem ser, apenas
satisfazer quem nada tem...
Mário M.Carvalho (humanamente social)
(todos devemos ser a mudança que
desejamos ver no mundo.Mahatma Gandhi)
eram horas de passear
ler o jornal
tomar um café...
passa por mim
um mendigo
que estende a mão
levo a mão ao bolso
e dou-lhe uma moeda...
fiquei triste
com as minhas necessidades
eu não preciso
de nada
e há quem precise de tudo...
afinal os meus problemas
são apenas tentar conseguir
algo que não me faz falta...
fico sempre triste
com as diferenças sociais
já era tempo
de não existirem...
será que já fizemos
alguma coisa para mudar...
é isso
temos de mudar
e pensar que as nossas
necessidades
devem ser, apenas
satisfazer quem nada tem...
Mário M.Carvalho (humanamente social)
(todos devemos ser a mudança que
desejamos ver no mundo.Mahatma Gandhi)
terça-feira, 4 de maio de 2010
A TUA ALVURA...
Há algumas nuvens que passam
e escondem a sua anágua branca
entre olhares negros desbaratados
que nos estremecem e nos rasgam...
e sobre a água cinzenta
vai crescendo a tua alvura
que trespassa a desilusão lenta
num desassossego escorreito...
lavram-se campos de ternura
na imensidade do teu leito
onde brilham as plêiades
do nosso sete-estrelo...
ai quanta desventura amargurada
nesse olhar entediado,
solta a fúria desalmada
e alcança toda a tua lonjura...
o teu refulgir é alvorada...
Mário M. Carvalho ( Humanamente interior)
e escondem a sua anágua branca
entre olhares negros desbaratados
que nos estremecem e nos rasgam...
e sobre a água cinzenta
vai crescendo a tua alvura
que trespassa a desilusão lenta
num desassossego escorreito...
lavram-se campos de ternura
na imensidade do teu leito
onde brilham as plêiades
do nosso sete-estrelo...
ai quanta desventura amargurada
nesse olhar entediado,
solta a fúria desalmada
e alcança toda a tua lonjura...
o teu refulgir é alvorada...
Mário M. Carvalho ( Humanamente interior)
PEDAÇOS DE PAPEL
É sentado onde estou
à minha procura
que descubro o que perdi...
pensava que tinha visto
tudo o que se poderia imaginar
afinal, nada era real...
quando tudo começou a ruír
à minha volta
lá estava eu
sem saber o que fazer....
a escutar os sons do passado
e a viver as imagens do presente...
devo ter acordado agora
e o filme completo da minha vida
passou ao meu lado....
uma vida deitada no lixo
embrulhada num papel...
e eu onde fiquei ?
o que sobrou de mim ?
apenas
os pedaços
desse papel que foi rasgado...
Mário M. Carvalho ( humanamente interior)
à minha procura
que descubro o que perdi...
pensava que tinha visto
tudo o que se poderia imaginar
afinal, nada era real...
quando tudo começou a ruír
à minha volta
lá estava eu
sem saber o que fazer....
a escutar os sons do passado
e a viver as imagens do presente...
devo ter acordado agora
e o filme completo da minha vida
passou ao meu lado....
uma vida deitada no lixo
embrulhada num papel...
e eu onde fiquei ?
o que sobrou de mim ?
apenas
os pedaços
desse papel que foi rasgado...
Mário M. Carvalho ( humanamente interior)
HORAS MORTAS
Pela casa vagueio
em horas mortas
gosto de sentir o silêncio
de aproveitar o escuro
da noite
e ler os meus pensamentos...
fico sempre triste
nesse deserto só meu,
horas perdidas de sono
e esse incómodo
de não conseguir perceber
os passos que dou...
sempre muito confuso
e preocupado
cada vez sinto mais
que tudo se dissipa
na minha vida...
resta-me ir dormir
e pensar que no dia seguinte
quando acordar
vou sentir outra vez
vontade de lutar....
Mário M. Carvalho (humanamente interior)
O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo. (Nietzsche)
em horas mortas
gosto de sentir o silêncio
de aproveitar o escuro
da noite
e ler os meus pensamentos...
fico sempre triste
nesse deserto só meu,
horas perdidas de sono
e esse incómodo
de não conseguir perceber
os passos que dou...
sempre muito confuso
e preocupado
cada vez sinto mais
que tudo se dissipa
na minha vida...
resta-me ir dormir
e pensar que no dia seguinte
quando acordar
vou sentir outra vez
vontade de lutar....
Mário M. Carvalho (humanamente interior)
O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo. (Nietzsche)
sábado, 1 de maio de 2010
NATUREZA..
Pelo caminho em que seguimos
na longa viagem que atravessamos
percorre-se o tempo que nem sempre se prepara...
ao longe veêm-se as aves que passam
num voo que as leva para longe destas paisagens
atravessando continentes e oceanos
para passarem o inverno noutras paragens,
mais amenas e quentes do que estas serranias agrestes...
mas logo voltam com o despontar da primavera
para nos deliciar com os seus cantos e as suas crias
nos ninhos que decoram as cidades e as florestas...
quantos anos precisamos para conhecermos melhor,
para visitarmos todos os ninhos que nos encantam,
todas as montanhas que nunca percorreremos...
seremos capazes de ter alguma humildade
e colaborar na procura deste equilibrio....
quantos passos teremos coragem de percorrer
para ajudar estas espécies que nos preenchem,
ou viveremos sem as compreender....
basta-nos ter algum sentimento
não perder o que nos foi doado
e honrar o nosso momento....
Mário M.Carvalho ( eco chamada)
na longa viagem que atravessamos
percorre-se o tempo que nem sempre se prepara...
ao longe veêm-se as aves que passam
num voo que as leva para longe destas paisagens
atravessando continentes e oceanos
para passarem o inverno noutras paragens,
mais amenas e quentes do que estas serranias agrestes...
mas logo voltam com o despontar da primavera
para nos deliciar com os seus cantos e as suas crias
nos ninhos que decoram as cidades e as florestas...
quantos anos precisamos para conhecermos melhor,
para visitarmos todos os ninhos que nos encantam,
todas as montanhas que nunca percorreremos...
seremos capazes de ter alguma humildade
e colaborar na procura deste equilibrio....
quantos passos teremos coragem de percorrer
para ajudar estas espécies que nos preenchem,
ou viveremos sem as compreender....
basta-nos ter algum sentimento
não perder o que nos foi doado
e honrar o nosso momento....
Mário M.Carvalho ( eco chamada)
sexta-feira, 30 de abril de 2010
BEIRA-MAR
Ao fundo dessa avenida
percorremos a praia
sentimos o perfume
desse mar que conhecemos
e cruzámos
vezes sem conta,
em busca de tudo,
por terras desconhecidas...
agora temos visitantes,
que se atropelam
à procura do seu local
para se deleitar
com o calor
entre os reflexos de sol
dessas ondas salgadas
que banham
os corpos soltos
a descansar neste areal...
liberta-se alguma alegria
nem que seja por uma noite,
nos santos populares,
depois de um ano sofrido
com trabalho
entre dias mais abertos
e horas mais dificeis...
é daqui que partem
bravos guerreiros
que mar adentro enfrentam
essa luta
numa pesca que não sorri
e que por vezes os deixa
para trás,
sem mais voltar,
nessa dor de um pobre povo
que nasceu para o mar...
Mário M.Carvalho ( humanamente social)
percorremos a praia
sentimos o perfume
desse mar que conhecemos
e cruzámos
vezes sem conta,
em busca de tudo,
por terras desconhecidas...
agora temos visitantes,
que se atropelam
à procura do seu local
para se deleitar
com o calor
entre os reflexos de sol
dessas ondas salgadas
que banham
os corpos soltos
a descansar neste areal...
liberta-se alguma alegria
nem que seja por uma noite,
nos santos populares,
depois de um ano sofrido
com trabalho
entre dias mais abertos
e horas mais dificeis...
é daqui que partem
bravos guerreiros
que mar adentro enfrentam
essa luta
numa pesca que não sorri
e que por vezes os deixa
para trás,
sem mais voltar,
nessa dor de um pobre povo
que nasceu para o mar...
Mário M.Carvalho ( humanamente social)
quarta-feira, 28 de abril de 2010
SEM SABER...
Como essa folha de papel
que voa ao sabor do vento
ou como essa pétala branca
que salta no teu jardim
a vida é só um momento...
é apenas um instante
tão pequeno e inseguro
que nem sabemos ao certo
para que serve o tempo
que tivemos e perdemos...
pouco fizemos pela Paz
e muito do que vivemos
alguém saberá contar
o que todos esquecemos
crianças a morrer de fome
mulheres que são destroçadas
o que se passa entre nós ?
p'ra termos que suportar
este enorme pesadelo
que ninguém consegue parar...
Mário M.Carvalho ( humanamente social)
que voa ao sabor do vento
ou como essa pétala branca
que salta no teu jardim
a vida é só um momento...
é apenas um instante
tão pequeno e inseguro
que nem sabemos ao certo
para que serve o tempo
que tivemos e perdemos...
pouco fizemos pela Paz
e muito do que vivemos
alguém saberá contar
o que todos esquecemos
crianças a morrer de fome
mulheres que são destroçadas
o que se passa entre nós ?
p'ra termos que suportar
este enorme pesadelo
que ninguém consegue parar...
Mário M.Carvalho ( humanamente social)
terça-feira, 27 de abril de 2010
PERDIDOS
Nunca existe um dia
no tempo que já não temos
ou fingimos que não existe...
corremos sem direcção
vamos e vimos
somos a nossa lida
nesta rotina desenfreada
parece que não temos vida
nem temos nada...
andamos à nossa procura
ou já nem sabemos
se ainda resta algum sentido
ou se alguém
vem ao nosso encontro...
será que sabemos
ou pouco importa
se estamos presentes...
não estamos em lado nenhum
ficámos sós
fomos e viemos
por todos os caminhos
e já nos perdemos de nós...
Mário M.Carvalho ( humanamente interior)
no tempo que já não temos
ou fingimos que não existe...
corremos sem direcção
vamos e vimos
somos a nossa lida
nesta rotina desenfreada
parece que não temos vida
nem temos nada...
andamos à nossa procura
ou já nem sabemos
se ainda resta algum sentido
ou se alguém
vem ao nosso encontro...
será que sabemos
ou pouco importa
se estamos presentes...
não estamos em lado nenhum
ficámos sós
fomos e viemos
por todos os caminhos
e já nos perdemos de nós...
Mário M.Carvalho ( humanamente interior)
segunda-feira, 26 de abril de 2010
LIBERTAR
Em busca de palavras soltas
largam-se as amarras
por um oceano
de mistérios escondidos
que nos fazem navegar
em profundezas desconhecidas
por todo o universo
dos nossos sentidos...
porque nos limitam
se podemos ter essa ilusão
porque nos condicionam
com uma educação fútil
que nos prende a respiração
p'ra termos uma vida inútil...
soltem o sonho
entre o desejo e a fantasia
abraçem todas as flores
sintam a vossa magia...
Mário M.Carvalho ( humanamente interior)
largam-se as amarras
por um oceano
de mistérios escondidos
que nos fazem navegar
em profundezas desconhecidas
por todo o universo
dos nossos sentidos...
porque nos limitam
se podemos ter essa ilusão
porque nos condicionam
com uma educação fútil
que nos prende a respiração
p'ra termos uma vida inútil...
soltem o sonho
entre o desejo e a fantasia
abraçem todas as flores
sintam a vossa magia...
Mário M.Carvalho ( humanamente interior)
domingo, 25 de abril de 2010
RECORDAR
Entre paisagens recortadas
de serras e florestas
com castanhos amenos
e doces verdes
perdidas num chilrear constante
embalamos as horas
em que sonhamos...
respiramos a frescura da vida
num orvalho frio
que desperta nos raios de sol
nessa brisa de neve
que pinta de branco
o horizonte mais alto
dessas montanhas
e percorremos o vale
onde sabíamos ser crianças...
não te devíamos ter deixado,
nunca seremos melhores
por isso...
mas voltámos ao teu olhar
para podermos sentir
que ainda sabemos recordar...
Mário M.Carvalho ( Humanamente interior)
de serras e florestas
com castanhos amenos
e doces verdes
perdidas num chilrear constante
embalamos as horas
em que sonhamos...
respiramos a frescura da vida
num orvalho frio
que desperta nos raios de sol
nessa brisa de neve
que pinta de branco
o horizonte mais alto
dessas montanhas
e percorremos o vale
onde sabíamos ser crianças...
não te devíamos ter deixado,
nunca seremos melhores
por isso...
mas voltámos ao teu olhar
para podermos sentir
que ainda sabemos recordar...
Mário M.Carvalho ( Humanamente interior)
terça-feira, 20 de abril de 2010
O SONHO DA VIDA
Num verão passado
de vinte e seis
a nove de Agosto
nascia a menina
alma de mãe
coração de sonho
num sonho da vida
que passa a sorrir.
O amor que sente
a todos faz bem
está sempre presente
na esperança de alguém
A nossa mãe
é o nosso colo
sofre por todos,
tem-nos a nós...
sabemos amar
porque nos ensinou
aprendemos a rir
porque não chorou.
É o melhor que temos
porque é nossa mãe
é tudo o queremos
na vida sentir
e agora aos oitenta
também é avó
o amor aumenta
é mãe e avó !
É ela que embala
a vida que canta
a família sonha
o sonho que é seu
e guarda consigo
o sonho que nos deu.
Mário M. Carvalho - 9.08.2006 - À minha querida mãe no dia em que fez 80 anos (gota de amor)
de vinte e seis
a nove de Agosto
nascia a menina
alma de mãe
coração de sonho
num sonho da vida
que passa a sorrir.
O amor que sente
a todos faz bem
está sempre presente
na esperança de alguém
A nossa mãe
é o nosso colo
sofre por todos,
tem-nos a nós...
sabemos amar
porque nos ensinou
aprendemos a rir
porque não chorou.
É o melhor que temos
porque é nossa mãe
é tudo o queremos
na vida sentir
e agora aos oitenta
também é avó
o amor aumenta
é mãe e avó !
É ela que embala
a vida que canta
a família sonha
o sonho que é seu
e guarda consigo
o sonho que nos deu.
Mário M. Carvalho - 9.08.2006 - À minha querida mãe no dia em que fez 80 anos (gota de amor)
segunda-feira, 19 de abril de 2010
O MEU RIO
Entre as margens da vida
e da saudade
passou o meu rio
lentamente
na planície
que já não sinto
há tanto tempo...
agora atravessa
rápidos ferozes
entre rochas e gargantas
que me afogam
e devoram...
preciso dessa planície
nem que seja
por um instante
p'ra me despedir
ou nascer outra vez
Mário M. Carvalho (humanamente interior)
Sejamos como os rios, que renovam constantemente suas águas. (Carlos Bernardo González Pecotche)
e da saudade
passou o meu rio
lentamente
na planície
que já não sinto
há tanto tempo...
agora atravessa
rápidos ferozes
entre rochas e gargantas
que me afogam
e devoram...
preciso dessa planície
nem que seja
por um instante
p'ra me despedir
ou nascer outra vez
Mário M. Carvalho (humanamente interior)
Sejamos como os rios, que renovam constantemente suas águas. (Carlos Bernardo González Pecotche)
DEMOCRACIA
À procura da igualdade
no desespero de incorrecções
musculo de audases pioneiros
em busca do perfil visionário
quantas vezes , o carrasco da felicidade
para sobrevivência de loucos
quantas vezes, sem mentira
o orgulho da liberdade !
quantas mais gerações desperdiçadas
entre a mesquinhez da demagogia...
o vento nunca parou
a luta não acabou !
Mário M. Carvalho ( Incertezas)
no desespero de incorrecções
musculo de audases pioneiros
em busca do perfil visionário
quantas vezes , o carrasco da felicidade
para sobrevivência de loucos
quantas vezes, sem mentira
o orgulho da liberdade !
quantas mais gerações desperdiçadas
entre a mesquinhez da demagogia...
quantos homens continuam sem livros?
quanto suor foi em vão?
quanto suor foi em vão?
o vento nunca parou
a luta não acabou !
Mário M. Carvalho ( Incertezas)
sábado, 17 de abril de 2010
NOVA OPRESSÃO
Cérebros esmagados
correntes fortes de insignificância
na aparência de pálidos reflexos
que se misturam com a rudeza
ou com a madrugada apodrecida
mas eles não temem
e só quem quer permanece
calma e serenamente
entre as florestas queimadas
de tão sarcástico destino
Mário M. Carvalho - 2008 ( Incertezas)
correntes fortes de insignificância
na aparência de pálidos reflexos
que se misturam com a rudeza
ou com a madrugada apodrecida
mas eles não temem
e só quem quer permanece
calma e serenamente
entre as florestas queimadas
de tão sarcástico destino
Mário M. Carvalho - 2008 ( Incertezas)
UMA MENINA
Foi há muito tempo
que uma menina
chorou...
tinha um gesto insistente
de braços cruzados
e mãos puras
vinham as férias e seguia
pela velha estrada
solitária
na bica da fonte a mesma água fresca
enchia um jarro com ternura
os rebanhos pela encosta do monte
já pastavam ao som das nuvens e das silveiras
por pouco, a menina rolava para a água
nesse rio montanhoso
e desaparecia na corrente
numa espuma de recordações
que ela não sabe
de repente, as pernas ficam bonitas,
os braços passam a estar abraçados
e as mãos cada vez mais soltas
com unhas engraxadas
passam-se momentos rápidos
curtos encontros
a vida começa a sentir-se
numa rua agitada
onde só respiramos fumos
ouvem-se sons desconhecidos
um suspiro ofegante
a menina veste-se finalmente de mulher
Mário M. Carvalho - 1984 ( Humanamente social)
que uma menina
chorou...
tinha um gesto insistente
de braços cruzados
e mãos puras
vinham as férias e seguia
pela velha estrada
solitária
na bica da fonte a mesma água fresca
enchia um jarro com ternura
os rebanhos pela encosta do monte
já pastavam ao som das nuvens e das silveiras
por pouco, a menina rolava para a água
nesse rio montanhoso
e desaparecia na corrente
numa espuma de recordações
que ela não sabe
de repente, as pernas ficam bonitas,
os braços passam a estar abraçados
e as mãos cada vez mais soltas
com unhas engraxadas
passam-se momentos rápidos
curtos encontros
a vida começa a sentir-se
numa rua agitada
onde só respiramos fumos
ouvem-se sons desconhecidos
um suspiro ofegante
a menina veste-se finalmente de mulher
Mário M. Carvalho - 1984 ( Humanamente social)
O MEU PAI
Grande como Homem
forte como ninguém
porque partiste ?
não tiveste tempo de ser menino !
cresceste sozinho
a trabalhar,
a estudar e a lutar...
como adorava
o som do teu banjo...
deixaste esta saudade
este sofrimento
quem te levou ?
O sonho que nos trouxeste
o amor que sempre deste
foste a força e a coragem
deixaste um vazio profundo
Mário M. Carvalho - 10.02.20o9-(gota de amor)
forte como ninguém
porque partiste ?
não tiveste tempo de ser menino !
cresceste sozinho
a trabalhar,
a estudar e a lutar...
como adorava
o som do teu banjo...
deixaste esta saudade
este sofrimento
quem te levou ?
O sonho que nos trouxeste
o amor que sempre deste
foste a força e a coragem
deixaste um vazio profundo
Mário M. Carvalho - 10.02.20o9-(gota de amor)
QUEM SERIA
Nasci no país que não devia
num tempo que não queria
na famíla que amaria
Sorria a quem não merecia
sonhava com nostalgia
o destino não sorria
e eu não partia...
por dentro a chama ardia
nascia para mim a poesia
até que senti alegria
num sorriso que não temia
A mulher com que sonhei
as filhas que sempre amei
Mário M. Carvalho - 20.02.2007 ( gota de amor)
num tempo que não queria
na famíla que amaria
Sorria a quem não merecia
sonhava com nostalgia
o destino não sorria
e eu não partia...
por dentro a chama ardia
nascia para mim a poesia
até que senti alegria
num sorriso que não temia
A mulher com que sonhei
as filhas que sempre amei
Mário M. Carvalho - 20.02.2007 ( gota de amor)
sexta-feira, 16 de abril de 2010
POR ÁFRICA...
Johannesburg
é magnífica de noite
vista de longe...
por dentro
é de ouro banto...
Sudwalaestalactites e estalagmites
pré-história
de leões às riscas,
um jardim...
tão perto o kruger
vou por Phalaborwa
a dimensão da savana
no sangue de um europeu...
aqui estás tu
crocodilo do letaba...
ali é Moçambique !
Porque me olhas assim kudu ?
agora é tarde,
quero ver essas pastagens,
esses sonhos escondidos
nos saltos dos macacos,
na alma de um povo
que chora ...
Mário M. Carvalho - Johannesburg - 18.09.85 ( socialmente historico)
ÁFRICA
Estranho perfume
que não se cansa
em aveludada frescura
nesse rosto negro
A primeira vez
sensação única
em solo tropical
passar o equador...
África quente !
enche o teu sol
de liberdade
Mário M. Carvalho - 31.08.85 - Nairobi ( socialmente historico)
que não se cansa
em aveludada frescura
nesse rosto negro
A primeira vez
sensação única
em solo tropical
passar o equador...
África quente !
enche o teu sol
de liberdade
Mário M. Carvalho - 31.08.85 - Nairobi ( socialmente historico)
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