Corre o mar
nas minhas veias
areais escondidos
nas falésias...
águas a rastejar
carícias nuas
de espumas frágeis
nas conchas vazias....
mítico lamento do dia
em turquesa
dourado
que foge
lívido...
corais de prata
o luar do desejo
ancorado
nas algas e medusas
a maré
submersa...
nas minhas veias...
Mário M.Carvalho
BEM-VINDOS E ESPERO QUE PASSEM UM MOMENTO DE PRAZER
O luar desconhecido que nos fascina e descobre na penumbra
Nem sempre há luar onde o homem nasce
MENSAGENS
MENSAGENSObrigado, Mário.. É uma honra e um prazer ler o quão bem escreve.
Um abraço
Pedro Abrunhosa
sábado, 19 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
SEREI EM TI...
Serei em ti
a seda
que voa no teu sorriso...
beijo do nosso abraço
permanente...
um sinal
aberto em pleno espaço..
a chama insaciável
que flutua
transparente...
Mário M.Carvalho
a seda
que voa no teu sorriso...
beijo do nosso abraço
permanente...
um sinal
aberto em pleno espaço..
a chama insaciável
que flutua
transparente...
Mário M.Carvalho
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
SABOR A FRIO...
As frases que me fugiram
entre sonhos devorados
os silêncios que se ouviram
em negros e tristes fados...
ouvi um verso parar
na memória que ficou
era alguém que veio amar
um pássaro levantou...
na escarpa de algum moinho
de nuvens altas e pastos
onde o vento vem sozinho...
longe, ainda, canta o rio
a tropeçar nos socalcos
soubesse eu sabor a frio...
Mário M.Carvalho
entre sonhos devorados
os silêncios que se ouviram
em negros e tristes fados...
ouvi um verso parar
na memória que ficou
era alguém que veio amar
um pássaro levantou...
na escarpa de algum moinho
de nuvens altas e pastos
onde o vento vem sozinho...
longe, ainda, canta o rio
a tropeçar nos socalcos
soubesse eu sabor a frio...
Mário M.Carvalho
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
SEM FADIGA...
Sem fadiga
no acaso
inquieta na retina
uma dormente
vertigem
que se elide
no meu desmaio
[vibra] sem dor...
inútil
a minha lucidez
na gruta das sombras
escureceram
medos...
derrete-se a cor
na luz da névoa
celeste..
ainda vejo
um raio
que foge das trevas
[terrestre]...
quero segui-lo
com os meus dedos...
Mário M.Carvalho
no acaso
inquieta na retina
uma dormente
vertigem
que se elide
no meu desmaio
[vibra] sem dor...
inútil
a minha lucidez
na gruta das sombras
escureceram
medos...
derrete-se a cor
na luz da névoa
celeste..
ainda vejo
um raio
que foge das trevas
[terrestre]...
quero segui-lo
com os meus dedos...
Mário M.Carvalho
sábado, 12 de fevereiro de 2011
NA MÁSCARA DA CIDADE...
As palavras diluídas
na madrugada...
na máscara da cidade
desencontrada...
esquinas sem luz
forradas de azulejo
nas noites
acordadas...
vibrações exaustas
nos fantasmas crús
metamorfoses de led
irradiadas...
brilham corpos
de água
lado a lado
nas gotas
suadas...
Mário M.Carvalho
na madrugada...
na máscara da cidade
desencontrada...
esquinas sem luz
forradas de azulejo
nas noites
acordadas...
vibrações exaustas
nos fantasmas crús
metamorfoses de led
irradiadas...
brilham corpos
de água
lado a lado
nas gotas
suadas...
Mário M.Carvalho
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
NA CINZA DOS SEGREDOS...
Ela esqueceu-se
do ouvido dele
na almofada....
ela sonhava
indiferente,
nem amor
vegetal...
incandescente,
ele procurava
amor
carnal...
os lábios abolidos
talvez beijassem
os silêncios despidos
na cinza dos segredos...
Mário M.Carvalho
do ouvido dele
na almofada....
ela sonhava
indiferente,
nem amor
vegetal...
incandescente,
ele procurava
amor
carnal...
os lábios abolidos
talvez beijassem
os silêncios despidos
na cinza dos segredos...
Mário M.Carvalho
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
UMA VAGA NO ABISMO...
Ouvia no tempo
lábios que murmuram
nas dunas
ausências no vento
e espumas...
manchas de olhares
que sangram mar...
braços de espinhos
a rasgar a bruma
afadigados
[desesperavam]...
uma vaga no abismo
e lá ficavam [amados]...
Mário M.Carvalho
lábios que murmuram
nas dunas
ausências no vento
e espumas...
manchas de olhares
que sangram mar...
braços de espinhos
a rasgar a bruma
afadigados
[desesperavam]...
uma vaga no abismo
e lá ficavam [amados]...
Mário M.Carvalho
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
MAIS ALÉM...
Não me chorem
dores e lamentos...
a minha felicidade
transborda
a minha margem...
por momentos...
basta um olhar
padecente imagem
à porta de alguém
e caio inserto
mais além...
disperso
porém...
Mário M.Carvalho
dores e lamentos...
a minha felicidade
transborda
a minha margem...
por momentos...
basta um olhar
padecente imagem
à porta de alguém
e caio inserto
mais além...
disperso
porém...
Mário M.Carvalho
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
NO DESTINO DO MAR...
No destino do mar
o barco vagueava
como criança perdida
espreitava...
rumos cegos
equívocos
na maré do luar...
desfazem-se ao longe
nas ondas
e nas sombras...
Mário M.Carvalho
espreitava...
rumos cegos
equívocos
na maré do luar...
desfazem-se ao longe
nas ondas
e nas sombras...
Mário M.Carvalho
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
VOO ARDENTE...
Na boca a vontade de um beijo
um corpo crescente...
despe-se uma rosa
uma mão inocente
na sombra do desejo
o olhar sôfrego
dos seios brancos
um suspiro lento
no voo ardente
desenhado no vento...
Mário M.Carvalho
um corpo crescente...
despe-se uma rosa
uma mão inocente
na sombra do desejo
o olhar sôfrego
dos seios brancos
um suspiro lento
no voo ardente
desenhado no vento...
Mário M.Carvalho
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
AS PALAVRAS...
Esperei aqui
a voz da palavra
dentro de mim...
sim, aqui...
vieram letras
que se juntaram
não, não são palavras...
cresce um fogo
e as letras estremecem
fortes
únicas...rompem
sílabas em compasso
dançam
atravessam poentes
gritam...sofrem
em vertigens de prazer...
as palavras...
Mário M.Carvalho
a voz da palavra
dentro de mim...
sim, aqui...
vieram letras
que se juntaram
não, não são palavras...
cresce um fogo
e as letras estremecem
fortes
únicas...rompem
sílabas em compasso
dançam
atravessam poentes
gritam...sofrem
em vertigens de prazer...
as palavras...
Mário M.Carvalho
sábado, 29 de janeiro de 2011
ABSORVIDO...
Absorvido
a contemplar um verde
de primaveras
sobre o tempo liso
que foge em alvoradas...
navio solitário
na natureza ao meu lado
de mãos dadas com a luz
num lampejo recortado...
abre um caminho
num lago entre montanhas
na chuva incerta
em voos de inocência...
o lugar onde respiro
a porta secreta
ou a minha ausência...
Mário M.Carvalho
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
UM GRITO ENTRE OS DENTES...
Já não há frutos
nos espaços da terra
entre fontes secretas
e pedaços de pedra
aperta-se
um grito
entre os dentes...
propagam silêncios
as vozes choram
no destino vazio...
confundidos
na mágoa
ainda há revolta...
ouve-se no lodo
um grito
entre os dentes...
Mário M.Carvalho
nos espaços da terra
entre fontes secretas
e pedaços de pedra
aperta-se
um grito
entre os dentes...
propagam silêncios
as vozes choram
no destino vazio...
confundidos
na mágoa
ainda há revolta...
ouve-se no lodo
um grito
entre os dentes...
Mário M.Carvalho
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
JÁ NÃO SEI...
Sei,
onde tenho raiva
caído entre sementes
que secaram
e se desfazem
em cinza...
Sei,
das noites, todas as noites
quando o olhar baloiça
rasgado...
Sei,
a morte é carvão
poeira da noite
azeda...
...ah!... eu já não sei...
Mário M. Carvalho
onde tenho raiva
caído entre sementes
que secaram
e se desfazem
em cinza...
Sei,
das noites, todas as noites
quando o olhar baloiça
rasgado...
Sei,
a morte é carvão
poeira da noite
azeda...
...ah!... eu já não sei...
Mário M. Carvalho
domingo, 23 de janeiro de 2011
NA PALMA DE UM BEIJO...
Prometia um canto...estrelas
nebulosa em verso
escondido
que nos descobre as asas....
sobe devagar
em voos de fumo
amor ao vento
de breves manhãs
que nos vem chamar...
palavras de aromas...desejo
flores à beira de um rio
na alma solta
em raízes lavradas
na palma de um beijo...
Mário M.Carvalho
nebulosa em verso
escondido
que nos descobre as asas....
sobe devagar
em voos de fumo
amor ao vento
de breves manhãs
que nos vem chamar...
palavras de aromas...desejo
flores à beira de um rio
na alma solta
em raízes lavradas
na palma de um beijo...
Mário M.Carvalho
sábado, 22 de janeiro de 2011
A FERMOSURA DESTA FRESCA SERRA
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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
PODEM LEVAR-ME ASSIM...
Andaram perto
de me tocar ...estava vazio
transpirei no meu laço
para ver o que faziam
atirei-me de espaço em espaço
entre palavras
algumas letras corriam
fugia...
chegaram
para me sacudir
depois de tanto rosto
ainda via...
depois de tanto texto
que estava ausente
ainda permaneciam
de cara erguida
para ver
o que perdia....
assim fica o que ficou
nem mais palavra
nem ponto
estava tudo escrito
em verso e reverso
acabou
como eu queria...
podem levar-me assim...
Mário M.Carvalho
de me tocar ...estava vazio
transpirei no meu laço
para ver o que faziam
atirei-me de espaço em espaço
entre palavras
algumas letras corriam
fugia...
chegaram
para me sacudir
depois de tanto rosto
ainda via...
depois de tanto texto
que estava ausente
ainda permaneciam
de cara erguida
para ver
o que perdia....
assim fica o que ficou
nem mais palavra
nem ponto
estava tudo escrito
em verso e reverso
acabou
como eu queria...
podem levar-me assim...
Mário M.Carvalho
O MEU GRITO... ( Livro dos vivos IV)
Eu apareci
vinha na barca do dia
saí do meu ovo
tinha asas, muitas asas...
voei para a montanha
sentei-me
alimentei-me...
tinha o poder
preso à minha cabeça
sobre mim
vim à minha existência...
desaterrei o meu caminho
construí a minha morada
ganhei as minhas forças
nos sopros do meu corpo...
sou eu
vi onde me encontrava
fui até às minhas extremidades
passei a pradaria pantanosa
a minha alma
saiu para todos os lugares...
libertei-me
atrás das estrelas infatigáveis
o meu rosto é alguém
subi todas as direcções
produzi as minhas sementes...
expulsei a minha saliva
os meus pensamentos
estavam presos no meu corpo
eu sou a minha memória...
suprimi as minhas trevas
iluminei-me
eu sou alguém que conhece
o meu nome...
coloquei-me sobre a colina
eu sou aquele
que pode sair à luz do dia
que se opõe aos senhores
às injustiças, às fomes, às guerras
à falsa política
à economia fraudulenta
à corrupção
eu vim à existência
para ser eu próprio...
a minha luz é eternidade
o meu corpo é perenidade...
criei o meu ninho no lugar dos vivos
ninguém destruirá os meus ovos...
Mário M.Carvalho
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
A ESTRELA DA LÃ
Que força humana !
entre máquinas e fardos
em velos que desbordaram
lã que pentearam,
fio que vão tecendo
e, algumas vezes, tingem
com o próprio sangue
Que força humana !
rasgou a neve
alimentou ovelhas,
vestiu a dúvida
com lágrimas de coragem
Apenas brilhou a estrela !
que lhes deu luz
e lhes deu serra
mas eles não param !
nem o tempo
que os esqueceu...
Mário M.Carvalho - Covilhã -1987 ( socialmente histórico)
entre máquinas e fardos
em velos que desbordaram
lã que pentearam,
fio que vão tecendo
e, algumas vezes, tingem
com o próprio sangue
Que força humana !
rasgou a neve
alimentou ovelhas,
vestiu a dúvida
com lágrimas de coragem
Apenas brilhou a estrela !
que lhes deu luz
e lhes deu serra
mas eles não param !
nem o tempo
que os esqueceu...
Mário M.Carvalho - Covilhã -1987 ( socialmente histórico)
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